O desgaste recente entre Ibaneis Rocha e Celina Leão tende a ir além de apenas alimentar o risco do lançamento pelo MDB de uma candidatura própria ao governo do Distrito Federal. O possível rompimento reforça também a resistência do PL de apoiar o projeto majoritário do emedebista ao Senado. Quando estava no governo, Ibaneis nunca escondeu ao clã do ex-presidente a intenção de integrar a aliança majoritária da direita, apesar das resistências de Jair e Michelle Bolsonaro.
Na tarde de quarta-feira, 20, quando o agora ex-governador divulgou um vídeo com críticas à sucessora, a chance de Ibaneis dividir o mesmo palanque com a ex-primeira-dama se tornou ainda mais distante. Nas discussões sobre a montagem da chapa, Michelle sempre apoiou a reeleição da atual governadora, Celina Leão, de quem é muito amiga. A aliança com o emedebista, se houvesse, seria apenas por tabela.
Ibaneis pretendia disputar uma das cadeiras do Senado ao lado de Michelle Bolsonaro, enquanto Celina estaria na cabeça da chapa conservadora. Contudo, após o episódio do 8 de Janeiro, quando ficou três meses afastado do governo por decisão do ministro Alexandre de Moraes, o plano começou a ruir, especialmente quando o emedebista afirmou ser um político da “direita pragmática” e que a ex-primeira-dama, nas palavras dele, pertencia à ala mais “ideológica”, o que desagradou o clã do ex-presidente.
No vídeo desta quarta, Ibaneis afirma estar decepcionado com a gestão de Celina, indicando um possível “realinhamento” do MDB na reeleição da sucessora, a possibilidade da aliança bolsonarista com o ex-governador praticamente zerou. Integrantes da cúpula do PL ainda aguardam as consequências sobre as conexões entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro reveladas pelo The Intercept. Caso o estrago seja grande, Michelle seria uma alternativa para a disputa ao Planalto. Antes do rompimento, Ibaneis ainda era ventilado para disputar o Senado em dobradinha com a deputada Bia Kicis.
Com a má repercussão do vídeo dentro do clã Bolsonaro, a reaproximação do ex-governador, que já era difícil, passou a ser praticamente impossível, o que forçará o MDB a virar a página com a direita e costurar aliança própria para as eleições de outubro.
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