Senadores do PT chegaram, nesta semana, a buscar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na esperança de um gesto que mostrasse disponibilidade para tentar restabelecer o diálogo entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interrompido desde que Alcolumbre impôs a Lula derrotas importantes como a recusa do nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para o STF (Supremo Tribunal Federal) e a derrubada do veto à Lei da Dosimetria.

Alcolumbre, no entanto, não se mostrou disposto e fez questão de marcar essa posição ao não atender novamente a um convite de Lula para participar, nesta quarta-feira, 20, da cerimônia alusiva aos 100 dias do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, no Palácio do Planalto, da qual participaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do STF, Edson Fachin.

O presidente do Congresso alegou ter um “compromisso pessoal” para não atender ao chamado de Lula. Além disso, ele convocou uma nova sessão do Congresso para esta quinta-feira, 21, com o objetivo de impor mais uma derrota ao governo. A sessão conjunta tem como única pauta o veto de Lula a um ponto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, aprovada no final do ano passado, que impede municípios inadimplentes de até 65 mil habitantes de celebrar convênios para receber recursos da União.

Na semana passada, Alcolumbre fez um gesto favorável ao Planalto ao indicar que anunciaria os relatores da PEC do fim da jornada 6×1 e do marco regulatório das terras raras. Depois disso, ele e Lula se encontraram na posse de Nunes Marques no TSE, mas nem se olharam em público.

Marcha dos prefeitos
A intenção de Alcolumbre foi anunciada na abertura da 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, na manhã de terça-feira, 19. Ao fazer o anúncio, no evento que reúne em Brasília cerca de 15 mil pessoas e para o qual foram convidados mais de 5 mil prefeitos, Alcolumbre chamou ao palco Hugo Motta e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), que foi pego de surpresa.

“Eu e o presidente da Câmara, Hugo Motta, vamos ainda hoje, juntamente com os líderes do Congresso e do governo, organizar uma sessão do Congresso Nacional para que possamos analisar e derrubar esses vetos, e assim entregar para mais de três mil municípios a possibilidade de acessarem mais recursos do Estado brasileiro”, disse. Motta e Guimarães aplaudiram, acompanhando as palmas puxadas na plateia.

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A sessão conjunta da Câmara e do Senado foi convocada à noite desta terça-feira.

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