A queda nas pesquisas provocada pelo vazamento dos áudios que mostraram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, provocou uma mudança de foco na pré-campanha ao Planalto. Antes da divulgação das mensagens, Flávio evitava apresentar propostas e não opinava sobre temas relevantes. Na nova fase, ele passou a investir em pautas que contrastam com o governo Lula.

Depois de permanecer uma semana na defensiva por causa das revelações sobre Vorcaro, Flávio ensaiou a mudança de discurso ao falar nesta terça-feira, 19, para uma plateia mais política, formada por prefeitos de todo país, reunidos em Brasília na 18ª Marcha da CNM (Confederação Nacional dos Municípios). Ele Falou sobre segurança pública, modelo de relação da União com municípios, economia e trabalho, entre outras ideias que ele pretende implantar se for eleito.

Por estratégia, Flávio evitava antecipar tópicos do seu programa de governo para não facilitar os ataques dos adversários às suas propostas antes do período da campanha oficial, que começa em agosto. Ao se contrapor ao fim da jornada 6×1, principal projeto que Lula para as eleições, o pré-candidato do PL tenta manter a polarização política que o favorece. “O trabalhador é que tem que escolher o quanto tempo trabalha e não o governo”, disse o senador, ressalvando que sua proposta conservará todos os direitos previstos pela Constituição Federal para os trabalhadores.

“Presos ou neutralizados”
Antes da revelação dos contatos com Vorcaro, Flávio investia na moderação. Procurava passar a ideia de que representa um “bolsonarismo ligth”. Na nova fase, ele se mostra com uma postura mais radicalizada e recupera lemas do pai, como o “menos Brasília e mais Brasil”, mencionado por Jair Bolsonaro no discurso de posse. 

Flávio também defendeu armar as guardas municipais e mandou recado direto para as facções. “Anotem aí, marginais de CV e PCC, ouçam. Metam o pé do Brasil até dezembro desse ano porque, senão, a partir do ano que vem, vão ser presos ou neutralizados pelas nossas polícias. Marginal não vai ter mais vez aqui no Brasil”, disse o pré-candidato, arrancando aplausos.

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A mudança de discurso é apoiada pela cúpula do partido. “A crise é um ponto de retorno para nosso crescimento”, afirmou o deputado Lincoln Portela (MG), presidente do PL 50+, ao deixar a reunião de prefeitos. O PL considerava que uma queda aceitável seria de 3 a 5 pontos percentuais, diante das revelações. Flávio caiu 6 pontos na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta terça, a primeira feita após as notícias.

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