O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está à espera de condições “mais favoráveis” à indicação de um novo nome para a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal) desde outubro do ano passado, após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. Depois da derrota histórica imposta pelo Senado ao nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União), pelo menos dois fatores devem contar.
O primeiro fator diz respeito ao clima com a cúpula do Senado que, no entender do petista, ainda não mudou, mesmo diante das operações da Polícia Federal que visaram alvos da direita, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ainda não retomou as conversas com Lula e o clima entre os dois não melhorou.
Outro fator que o petista deve considerar diz respeito à corrida eleitoral. Somente um cenário bastante favorável a Lula fará com que ele indique um novo nome para a corte antes das eleições. Na avaliação de interlocutores próximos ao presidente, qualquer indicação a ser feita agora será alvo de críticas intensas ao petista em um ambiente já totalmente contaminado pela disputa eleitoral.
“Mesmo se for uma mulher negra”, disse um interlocutor do Planalto, lembrando a cobrança costumeira feita a Lula por indicar um nome que represente maior pluralidade, tanto na questão de gênero quanto na questão de raça. Outro ponto considerado por conselheiros do presidente é que a indicação não pode ser vista como uma forma de constrangimento imposto ao Congresso que rejeitou, por motivos políticos, a indicação de Messias. “Não houve questionamento sobre a competência de Messias”, lembrou um membro do governo.
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Como não ouviu os pedidos de indicação de uma representante feminina para a corte, a preocupação do governo e do entorno do presidente é de que, em campanha, ele seja acusado de usar essas características para obter ganhos eleitorais.
