O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem emitido sinais de que quer uma reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após se aliar com a oposição e impor as derrotas ao petista na rejeição de Jorge Messias para o STF e na derrubada do veto da dosimetria. Nesta terça-feira, 12, prevendo um possível constrangimento na posse do ministro Nunes Marques na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Alcolumbre pegou pelo braço o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), atravessou o Salão Azul e o levou para dentro do seu gabinete.

O gesto impediu que Randolfe conversasse com jornalistas. Os dois ficaram na sala por cerca de 40 minutos e, ao sair, Randolfe relatou a promessa de Alcolumbre de indicar nos próximos dias os nomes dos relatores para a PEC da Segurança Pública e para o marco regulatório das terras raras, dois assuntos prioritários para o Planalto.

“O presidente Davi vai encontrar daqui a pouco com o presidente Lula e eu tenho certeza que as pautas de interesse do Brasil vão avançar aqui no Senado”, disse o líder petista ao sair da reunião. “Ele destacou que não tem tema importante para o Brasil que ele não coloque na pauta de imediato”, disse o líder ao sair da sala.

O encontro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) foi o primeiro entre Lula e Alcolumbre após as derrotas do governo no Senado. Os dois ficaram juntos na mesa da cerimônia, mas não se falaram. Ao lado de Lula, Alcolumbre amargou longos segundos de aplausos a Messias, quando o ministro foi citado no plenário da corte eleitoral pelo presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Beto Simonetti. O presidente do Congresso não aplaudiu.

A presença de Lula e Alcolumbre, lado a lado, sem troca de olhares foi reparada por todos os presentes. De manhã, o distanciamento entre os dois já havia ficado evidente na cerimônia de lançamento no Palácio do Planalto do novo plano de combate ao crime organizado.

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Antes desses gestos, o Planalto havia identificado recados de Alcolumbre na busca de estabelecer contato, pelo menos em duas situações, por meio de frases atribuídas a aliados e publicadas na imprensa. Lula, no entanto, ainda ainda não demonstrou entusiasmo com os sinais recebidos . “Ele não precisa de interlocutores. É um presidente de poder. Se quiser falar com Lula, é só ligar”, disse ao PlatôBR um auxiliar do Planalto.

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