Após se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora da agenda na noite desta segunda-feira, 4, o ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) sinalizou a interlocutores que não pretende deixar o governo e que, se for convidado para o Ministério da Justiça e Segurança Pública pretende “atender o chamado”.

Indicado por Lula para o STF, o ministro teve seu nome rejeitado pelo Senado na semana passada, em uma derrota imposta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Ao comentar o encontro com o presidente, Messias disse que é “um funcionário público” e, referindo-se aos meses em que esteve dedicado à tentativa de conquistar votos no Senado, que seu “período de recesso” acabou. Messias afirmou ainda que está na hora de se reapresentar.

Insatisfação 
Lula tem sido aconselhado a levar Messias para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, que desde janeiro é ocupado por Wellington César Lima e Silva. De acordo com interlocutores do governo, mesmo antes da derrota no Senado já havia uma insatisfação com o desempenho de Lima e Silva, sucessor de Ricardo Lewandowski. De acordo com integrantes do governo, o presidente tem ouvido críticas de que Lima e Silva “não disse ainda ao que veio”.

As queixas contra Lima e Silva são duras. A principal é de que ele não se apresenta para o debate público sobre questões que são de sua competência, como a área de segurança, um ponto bastante sensível para as eleições deste ano. Com isso, nomes que costumam influenciar Lula avaliam que o ministério sofreu um “rebaixamento” com a saída de Lewandowski. “A reclamação é geral e eu posso te garantir que o presidente ouviu”, disse ao PlatôBR um interlocutor assíduo do presidente.

Falta de solidariedade
Antes de se encontrar com Messias no Palácio da Alvorada, Lula se reuniu com o próprio Lima e Silva no Palácio do Planalto. O assunto tratado entre o presidente e o ministro, no entanto, não foi divulgado. Outro fator que teria irritado o presidente é que não houve por parte de Lima e Silva nenhuma manifestação em favor de Messias, nem antes da derrota nem depois. “Ele não apareceu nem para prestar solidariedade”, diz um interlocutor de Lula.

O atual ministro da Justiça é próximo do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e do ex-ministro Rui Costa (Casa Civil). A possível substituição ocorre em meio às reclamações relacionadas ao desempenho da articulação do governo no Senado, que falhou ao não identificar a iminência da derrota de Messias. A ineficiência da liderança de Wagner no Senado e a proximidade do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), com Alcolumbre têm sido alvo de intensas críticas no governo e em setores do PT.

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Cuidados
Para transferir Messias para a Justiça, Lula precisa se cercar de cuidados para não melindrar nem o próprio Lima e Silva nem seus líderes no Parlamento. Outro cuidado é evitar que a mudança seja entendida como uma retaliação contra Alcolumbre, já que Messias teria sob seu comando a Polícia Federal, que hoje investiga as fraudes no banco Master e tem potencial de alcançar o presidente do Senado.

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