Pesquisas recentes sobre a disputa ao Senado neste ano indicam um dado comum em estados considerados estratégicos: mulheres ligadas ao campo progressista aparecem na liderança ou entre os nomes mais competitivos. Essa tendência foi reforçada pelos levantamentos Genial/Quaest divulgados na semana passada. É o caso de São Paulo, onde Simone Tebet (PSB) lidera numericamente com 14%, enquanto Marina Silva (Rede) chega a 12%. Em Minas Gerais, Marília Campos (PT) aparece à frente, com até 19%. Da mesma forma, em Pernambuco, Marília Arraes (PDT) lidera com 18%.
Além da identidade com o público feminino, as candidatas têm no recall eleitoral um trunfo importante. Tebet foi candidata à Presidência em 2022 e ministra do Planejamento no governo Lula. Marina disputou o Planalto em 2010, 2014 e 2018, além de ter comandado o Ministério do Meio Ambiente nas três gestões do petista. Marília Arraes acumulou campanhas majoritárias em Pernambuco, enquanto Manuela foi candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT) em 2018. Marília Campos exerceu quatro mandatos como prefeita de Contagem e passou pelo Legislativo estadual.
Tebet e Marina largam à frente de outro integrante do primeiro escalão do governo atual, Márcio França (Empreendedorismo), e de nomes da direita, como Guilherme Derrite (PP), Ricardo Salles (Novo), André do Prado (PL) e José Aníbal (PSDB).
Em Minas Gerais, Marília Campos tem como principais concorrentes o ex-governador e presidente nacional do PSDB, deputado Aécio Neves (PSDB), e o senador Carlos Viana (PSD). Em Pernambuco, Marília Arraes é seguida por Humberto Costa (PT), Miguel Coelho (União) e Mendonça Filho (PL). No Rio Grande do Sul, Manuela DÁvila desponta com vantagem numérica sobre ex-governador Germano Rigotto (MDB), o deputado Marcel Van Hattem (Novo) e Paulo Pimenta (PT), também ex-ministro de Lula (Secom). Segundo Felipe Nunes, da Quaest, as diferenças são numéricas, mas sugerem uma disputa muito acirrada.
Disputa acirrada
Também segundo a Quaest, a deputada Benedita da Silva (PT) é favorita a voltar ao Senado nas simulações sem o ex-governador Cláudio Castro (PL), que está inelegível mas tentará entrar na disputa pela via judicial, com 12%, dois pontos percentuais acima do ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos). Com o nome de Castro na cédula, a petista fica em segundo lugar, com 10%, empatada tecnicamente com ele, que obtém 12% das preferências dos eleitores.
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No Distrito Federal, embora as pesquisas estejam desatualizadas e mostrem Michelle Bolsonaro (PL) na primeira posição, duas mulheres da esquerda estão entre os nomes competitivos, em disputa acirrada, para a segunda cadeira do Senado. Segundo pesquisa Real Time Big Data de dezembro, a ex-primeira-dama aparecia com 28%, seguida por Ibaneis Rocha (MDB), com 21%. A atual senadora Leila do Vôlei (PDT) tinha 16%, e a deputada Erika Kokay (PT), 14%.