A decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de manter o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, no comando interino do estado atrapalhou a tentativa do novo presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL), de assumir o Palácio Guanabara e garantiu novo fôlego ao grupo político de Eduardo Paes (PSD) na corrida pelo cadeira deixada em março por Cláudio Castro. O  magistrado entendeu que a recente eleição de Ruas não altera a decisão anterior tomada pelo Supremo.

A posição de Zanin atingiu em cheio os planos do grupo político liderado pelo deputado, que enxergava na nova função um atalho para ocupar o Executivo interinamente. Ruas é o principal adversário de Eduardo Paes (PSD). O ex-prefeito da capital tenta impedir que o adversário assuma a vaga, mesmo que de forma interina. A exposição daria visibilidade natural ao oponente, que está no primeiro mandato e tem o desafio de ser reconhecido como o nome da direita pela população com ampla tendência bolsonarista.

Desde que Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo e o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), teve o mandato cassado pelo TSE, Couto acumula a chefia do Executivo e do Judiciário no Rio de Janeiro. Responsáveis pelas ações no STF sobre o destino fluminense, o grupo político de Paes tenta ganhar tempo até a retomada do julgamento, interrompido após pedido de vista de Flávio Dino. O ministro optou por aguardar a publicação do acórdão da condenação de Cláudio Castro pela Justiça Eleitoral. A expectativa é de que a sessão seja retomada na próxima semana.

Atualmente, o placar registra 4 votos a 1 pela realização de eleições indiretas. O formato garante a escolha do governador tampão aos integrantes da Assembleia Legislativa. O cenário favoreceria Douglas Ruas, que tende a abrir mão da presidência para disputar a cadeira. A direita tem maioria entre os deputados estaduais. Contudo, os votos dos outros ministros podem tornar o resultado incerto.

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A aposta do núcleo de Eduardo Paes é de que Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes sigam o entendimento de Cristiano Zanin pela realização de eleições diretas, com a participação popular. Nesse caso, o voto de minerva será do presidente da Corte, Edson Fachin.  

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