A declaração do ministro José Guimarães (Relações Institucionais) de que a “taxa das blusinhas” causou ‘forte desgaste’ ao presidente Lula Inácio Lula da Silva e que o imposto deve ser revogado repercutiu mal no Ministério da Fazenda e no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). A crítica do ministro foi feita dois dias depois que Lula disse que considera essa taxação “desnecessária”.

A tributação garantiu R$ 5 bilhões aos cofres públicos em 2025 e somente em janeiro de 2026 arrecadou R$ 425 milhões, 25% a mais que no mesmo período do ano passado. No primeiro mês do ano, foram recebidas 15,3 milhões de remessas internacionais, em comparação com 11,4 milhões em janeiro de 2025. Na prática, o imposto não tem diminuído o consumo. 

Na avaliação de técnicos do Ministério da Fazenda, o imposto contribui para o cumprimento da meta fiscal e corrigiu uma distorção decorrente da importação de produtos chineses que são comercializados abaixo dos preços de mercado. No MDIC, a medida é avaliada positivamente, sobretudo para a indústria têxtil, que reclama da concorrência predatória de produtos asiáticos. 

Entre auxiliares de Dario Durigan e Márcio Elias Rosa, Guimarães deveria ter tratado do assunto internamente dentro do governo antes de colocar os colegas de Esplanada em saia justa. 

Segundo técnicos da equipe econômica, a revogação da proposta causará uma reação negativa do setor privado. Entretanto, os integrantes do governo admitem que em ano eleitoral os argumentos técnicos podem ser deixados de lado em prol do projeto de reeleição de Lula.

O presidente e o ministro
A “taxa das blusinhas” foi destaque no noticiário na terça-feira, 14, com uma declaração de Lula contra o tributo. “Eu achava desnecessária a taxa das blusinhas. São compras muito pequenas, as pessoas de baixo poder aquisitivo é que compravam aquilo. Sei do prejuízo que isso trouxe para nós”, afirmou o presidente.

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A declaração de Guimarães foi nesta quinta-feira, durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto. “Quando essa matéria foi votada eu achava que ela não deveria ser aprovada. Foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa. Essa é minha opinião quando eu for consultado”, disse o ministro.

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