O voto de Kassio Nunes Marques nessa terça-feira, 14, no julgamento sobre a situação política em Roraima surpreendeu e preocupou até mesmo colegas do próprio TSE.

O ministro se manifestou pela inelegibilidade do ex-governador Antonio Denarium, ao reconhecer abuso de poder nas eleições de 2022, mas não defendeu a cassação da chapa, preservando, assim, o mandato do vice, hoje governador Edislon Damião, do União Brasil.

A ministra Estela Aranha classificou o voto como “inesperado” e pediu vista, adiando o desfecho do caso pela terceira vez. Coube à ministra Cármen Lúcia clamar aos pares que não demorem a retomar o julgamento.

Até aqui, a jurisprudência do TSE indicava dois caminhos em casos de fraude eleitoral em chapas majoritárias: ou a posse do segundo colocado, ou a convocação de novas eleições. Nunes Marques abriu uma terceira via.

Nos bastidores, a leitura é de que o ministro “salvou o vice com os votos do titular contaminado”. A ironia correu solta: nasceu a figura do “vice Teflon”, aquele que se elege em uma chapa fraudulenta, mas nele nada “gruda”.

Após mais de 100 dias para devolver o processo ao plenário, o ministro argumentou que, com as eleições de outubro se aproximando, uma eventual correção agora poderia gerar instabilidade política nas palavras dele, o risco de “cinco governadores em seis meses”.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Em resumo: a eleição foi considerada irregular, mas corrigir o problema, neste momento, seria custoso demais. É um precedente perigoso, sobretudo no dia em que Nunes Marques assumiu o comando do TSE para as eleições gerais de 2026.

compartilhe