De saída da Casa Civil, o ministro Rui Costa (Casa Civil) submeteu o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República, Sidônio Palmeira, a um constrangimento ao discursar na reunião ministerial desta semana e expressar dúvidas se todos os feitos do governo eram percebidos pela população.
Mesmo que Costa tenha, em entrevistas na parte da tarde, tentado amenizar a forma com que tratou o assunto, usando o argumento recorrente de culpar a comunicação pelas deficiências de imagem do presidente, no dia seguinte ele voltou a dar pitaco na área de Sidônio, ao discursar ao lado do presidente em um evento na Bahia, estado dos dois ministros.
Na plateia estavam prefeitos do interior do estado, cabos eleitorais e outros ministros, entre eles alguns que estão entrando e outros que estão saindo. Costa sugeriu que o marqueteiro produzisse vídeos com o uso de inteligência artificial para mostrar as obras feitas pelo governo federal em parceria com o governo do estado para apresentar as ações executadas na cidade de Salvador nos últimos anos.
Sidônio, que havia dito que responderia ao ministro na reunião do Palácio do Planalto, dessa vez só olhou, sem esboçar comentários. Depois, durante a fala de Lula, o responsável pela Secom lembrou no ouvido do presidente que ele não poderia deixar de defender o Pix, sistema de pagamento que vem sendo questionado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao mesmo tempo em que refrescava a memória do chefe, ele retirou o presidente dos braços da população presente que clamava por emprego em uma cena que poderia causar constrangimento ao chefe do executivo. Lula obedeceu.
Em relação a Costa, o presidente fez uma série de elogios, mas não deixou de falar da fama de antipático que o ministro tem.
Descompasso
O fato é que o mal-estar que se instalou nesta semana ocorreu, principalmente, por que Costa usou a parte pública da reunião para as críticas ao ministro que, antes de trabalhar com Lula, foi o responsável pelas campanhas na Bahia tanto do chefe da Casa Civil quanto de Jaques Wagner. Para quem acompanha de perto o dia a dia da comunicação do Planalto, esse foi somente mais um sintoma da “tensão constante” entre Sidônio e Rui Costa, situação que muitos costumam denominar de embate entre “o tempo da política e o tempo da comunicação”.
Esse descompasso se dá em relação a muitos assuntos. Geralmente, de acordo com integrantes do governo, Sidônio é mais ansioso pelo enfrentamento nas redes, estimulando reações mais imediatas, com o objetivo de movimentar o algoritimo e estimular o debate. Costa tem fama de conter os ânimos e buscar o tempo da negociação.
Um exemplo dessa dicotomia ocorreu na última semana com a questão dos combustíveis e com a necessidade do governo de mostrar ação diante da alta do diesel, pressionado pelo mercado externo. A informação de que a maior parte dos estados havia aderido à colaboração pedida pelo presidente de baixar o ICMS sobre o produto encheu os olhos de Sidônio, que defendia uma divulgação maciça, o mais rapidamente possível, em um ambiente em que caminhoneiros ameaçavam fazer greve.
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Costa, no entanto, preferiu esperar e não expor os governadores que não haviam aderido ao pedido. Sua esperança era de que, sem o constrangimento, esses governadores pudessem ser convencidos a baixar os impostos estaduais. Nesse caso, o governo decidiu que o tempo da divulgação obedecesse o tempo da política e a notícia só foi anunciada na terça-feira, com a adesão de 21 estados. O assunto cresceu ao longo da semana. Rondônia e o Distrito Federal, governados pela oposição, ficaram de fora do acordo. Amapá, Goiás e Pará ainda não se manifestaram e o governo do Rio de Janeiro disse que vai esperar a publicação da medida provisória para decidir sobre a adesão à política de subvenção.
