O risco de o Banco Central reduzir o tamanho ou interromper o ciclo de corte de juros entrou no radar do Ministério da Fazenda e já preocupa os auxiliares do ministro Dario Durigan. A expectativa na pasta era de que o processo de redução levaria a taxa para um percentual entre 11% e 12% neste ano, o que traria algum alívio para o setor privado, para os consumidores e para as contas públicas diante dos gastos com os juros da dívida.
Entretanto, a desancoragem generalizada das expectativas de inflação para 2026, 2027 e 2028, como mostrou o relatório de mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 30, aumentou a preocupação entre interlocutores de Durigan de que o BC pode ser obrigado frear o processo de corte da Selic. Para 2026, a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 4,17% para 4,31%. Em 2027, a estimativa subiu de 3,80% para 3,84%. Para 2028, a mediana das expectativas passou de 3,52% para 3,57%.
A avaliação entre técnicos da Fazenda é de que há espaço para o corte de juros, diante da taxa real de juros (quando descontada a inflação) estar em um patamar bastante restritivo. Mesmo assim, os mesmos técnicos admitem que a incerteza global reduziria o ciclo. A falta de clareza sobre a duração da guerra e os efeitos sobre o preço do petróleo podem obrigar o BC a encerrar esse processo precocemente, disse um auxiliar de Durigan.
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As estimativas do Focus têm sido influenciadas pela guerra no Oriente Médio, que afeta o preço do petróleo, dos combustíveis e provoca um efeito cascata nos custos de outros produtos e serviços que compõem o IPCA. A aceleração da inflação entre janeiro e março também preocupa o governo e o mercado. Diante dessa incerteza, bancos e corretoras também iniciaram um processo de revisão nas projeções para percentuais próximos ao teto da meta de 4,5% em 2026 e 4% em 2027.
