O crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrado nas pesquisas teve uma comemoração apenas tímida entre membros da direita. Uma das razões apontadas por parlamentares aliados do senador é que ele, apesar de ter se mostrado competitivo diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até então favorito, ainda precisa unificar o campo conservador em torno de seu nome. 

Os resultados neste momento favorecem esse esforço que será feito por Flávio e aliados na busca de manifestações públicas de apoio. De acordo com a pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta semana, Flávio aparece com 47,6% das intenções de voto, contra 46,6% de Lula em uma disputa no segundo turno. 

Lançado em dezembro do ano passado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), que hoje cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, Flávio teve um crescimento que demonstra a força política do sobrenome Bolsonaro, no entanto, seu nome ainda não foi abraçado por setores que esperavam uma candidatura vista como mais moderada, como a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por exemplo.

Flávio ainda precisa driblar insatisfações internas, inclusive dentro da família. A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, resiste a aderir à candidatura do enteado e trabalha para derrubar a indicação feita pelo marido.

No PL, a falta de unidade é vista como um ponto de imaturidade da direita bolsonarista, ainda considerada jovem no processo político. “Pelo fato da direita ser jovem, nova, e mais marcante é claro que precisamos ter o encontro com perfeito equilíbrio”, disse o presidente da ala mais antiga do partido, conhecida como PL60+, deputado Linconl Portela (MG). “Estamos acertando na conscientização, organização e mobilização. Às vezes, a gente pode pensar diferente em um ou outro aspecto, mas permanecermos unidos”, disse o deputado.

Aliado do senador, o líder da Oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), tem investido em conseguir um manifesto uníssono da direita em favor do senador. “Estou trabalhando com demais líderes de outros partidos para trazê-los já no primeiro turno. Quanto mais o Flávio fica forte nas pesquisas, mais condições a gente tem de trabalhar”, disse o líder, em conversa com o PlatôBR. 

“Pior momento”
Já entre governistas, a tentativa de minimizar o empate entre Lula e Flávio acaba deixando explícita a ideia de que o governo enfrenta o pior momento desde a eleição, considerando o contexto de crise internacional e seus impactos na economia do país. 

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), admite o efeito da guerra no Oriente Médio na economia e o consequente mau humor da população que se refletiu na consulta. “Pesquisa é retrato do momento. Se no pior momento para nós, devido à conjuntura internacional, no meio de uma guerra, eles, no máximo, conseguiram empatar, então, a partir de julho a gente vira o jogo”, disse o líder ao PlatôBR. 

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O governo tenta segurar uma subida forte da gasolina e seus efeitos na inflação. Na semana passada mandou para o Congresso a medida provisória isentando do pagamento do PIS/Cofins sobre os combustíveis. No entanto, a medida não é suficiente para conter a alta por muito tempo. E os governistas não contam com a contrapartida dos estados que poderiam, na opinião do presidente, também entrar no esforço de contenção dos preços, abrindo mão do ICMS. O temor é de que o cenário se deteriore na medida que a guerra continue.

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