Fernando Haddad anunciou nesta quinta-feira que deixa o Ministério da Fazenda para se candidatar ao governo de São Paulo. A decisão já era conhecida dentro do PT e no governo e foi tornada pública em um ato do partido no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), com a presença do presidente Lula.

Será a segunda disputa entre Haddad e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pelo comando do estado. Em 2022 o petista perdeu no segundo turno para o atual chefe do Executivo paulista. Como aconteceu há quatro anos, a candidatura de Haddad é também motivada pela necessidade de Lula ter um palanque forte em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, que vota majoritariamente na oposição.

Com a saída de Haddad, o secretário-executivo, Dario Durigan, assume o ministério. Ele deve dar continuidade às políticas conduzidas pelo antecessor.

Vorcaro: negociações sobre colaboração premiada
Por decisão do ministro do STF André Mendonça, o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, foi transferido nesta quinta-feira, 19, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A mudança faz parte dos procedimentos adotados pelas autoridades para encaminhar as negociações sobre um acordo de delação premiada do empresário.

Também nesta quinta, um termo de confidencialidade foi assinado por Vorcaro, sua defesa e representantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Esse foi o primeiro passo formal relacionado à possível colaboração do banqueiro.

A perspectiva de revelações comprometedoras para congressistas, magistrados, autoridades de governos estaduais e da esfera federal desde a gestão de Jair Bolsonaro criou um clima de forte apreensão nos três poderes. Na política, as maiores preocupações estão relacionadas aos efeitos da possível delação nas campanhas e nos resultados das eleições de outubro.

Pelo potencial explosivo, os depoimentos de Vorcaro podem impactar negativamente candidaturas de representantes da oposição e, também, do governo Lula. Existe ainda o risco de que o material seja usado para manipulações e fake news nas redes sociais. Esse tipo de distorção demandará ampla atuação dos tribunais eleitorais neste ano.

Disputa entre CPI e o STF
Duas medidas tomadas pelo STF nesta semana aumentaram a insatisfação da CPI Mista do INSS com o tribunal. O ministro Flávio Dino pediu esclarecimentos do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG) sobre o envio de R$ 3,6 milhões de emenda parlamentar para uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, que tem ligações com o banco Master.

Em outra decisão, o ministro Gilmar Mendes mandou suspender a quebra de sigilo do fundo Arleen, também ligado ao Master.

Viana confirmou o envio da verba para a fundação e disse que repassa recursos para muitas instituições semelhantes. Em resposta a decisões do STF que dificultam as investigações da comissão, o senador divulgou um comunicado para afirmar que o colegiado não aceitará perder prerrogativas.

A esperança da família Bolsonaro
Aliados e familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro estão na expectativa de que, ao receber alta do hospital onde se encontra internado, ele seja transferido para casa, em vez de voltar para a Papudinha. Ao longo da semana, aumentaram as pressões sobre o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo da trama golpista, para que Bolsonaro continue o cumprimento da pena em regime de prisão domiciliar.

Entre os que fizeram gestões em favor do ex-presidente estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. 

O corte de 0,25 na Selic
O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou na quarta-feira, 18, o corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic. Foi a primeira queda nos juros depois de longo período de alta e de permanência em 15%, agora reduzidos para 14,75.

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Antes do início da guerra no Oriente Médio, a previsão era de que a queda seria de 0,5. Presido por Gabriel Galípolo, o Banco Central optou por uma postura de cautela enquanto avalia as consequência do conflito armado, que já provocou o aumento do petróleo no mercado internacional, fenômeno que influencia a inflação e pode atrapalhar o ciclo de queda da Selic previsto para começar neste mês de março.

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