Na provável candidatura do ministro Fernando Haddad (Fazenda) ao governo paulista, o vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, terá papel um papel estratégico. Nas conversas sobre as eleições no estado, o presidente Lula indica que quer Haddad “colado” em Alckmin, que governou São Paulo por quatro mandatos e mantém sólidas ligações com o empresariado local.
Um exemplo dessa estratégia pode ser observado nesta terça, 3. Lula chamou Alckmin e Haddad para acompanhá-lo em uma visita às instalações da fábrica da Bionovis, empresa do setor de medicamentos, em São Paulo. A presença dos três no mesmo evento tem o objetivo de fortalecer perante o público a ligação entre o ministro e o vice-presidente.
Os três tinham um jantar marcado para Brasília nesta terça para discutir detalhes da eleição no estado e tratar da divisão de tarefas na campanha. A agenda, no entanto, mudou. Lula participará à noite, na capital paulista, da abertura da II Conferência Nacional do Trabalho, encontro que reúne representantes do governo, das centrais sindicais e dos empregadores para discutir temas como a modernização das relações trabalhistas. Com isso, a conversa sobre a eleição deve ser realizada durante a viagem a São Paulo.
As relações de Alckmin com empresários da indústria, do agronegócio e do comércio, entre outros setores, ficaram mais estreitas durante sua atuação no ministério, principalmente nas negociações sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil. Lula atua para que pelo menos parte desse prestígio seja transferido para Haddad na campanha.
O vice já havia começado a adotar essa estratégia com Márcio França (Empreendedorismo), que planejava se candidatar pelo PSB ao Palácio dos Bandeirantes. Porém, após Haddad indicar que pode se lançar na corrida pelo governo paulista, França tende a disputar uma vaga ao Senado.
Chapa presidencial
No PSB, a sensação é de que as conversas sobre a substituição de Alckmin na vice da chapa de Lula perderam força. A primeira opção do presidente, afirmaram interlocutores do petista ao PlatôBR, era de que Alckmin fosse candidato ao governo paulista, com Haddad e a ministra Simone Tebet disputando as duas vagas para o Senado.
Alckmin não topou a missão. Pretende ser novamente candidato a vice e se prepara para deixar o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em abril. Com isso, Lula passou a trabalhar para que Haddad seja candidato a governador. Depois de manifestar resistência a esse projeto, o titular da Fazenda sinalizou publicamente que pode entrar na disputa pela sucessão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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Com Haddad candidato ao Palácio dos Bandeirantes, além de França, Tebet e a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) também seguem cotadas para as vagas ao Senado.
