O governo Luiz Inácio Lula da Silva deve registrar o quarto déficit público consecutivo em 2026, segundo estimativas divulgadas pela Secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda nesta última sexta-feira, 6. O rombo foi projetado em R$ 22,91 bilhões e apresentado no relatório “Balanço macrofiscal de 2025 e perspectivas para 2026”. Esse valor corresponde a 0,17% do Produto Interno Bruto e, se confirmado, deve ser o menor registrado no atual mandato do petista.
Por outro lado, a retirada de R$ 57,83 bilhões de precatórios, além da exclusão de despesas temporárias de educação, saúde e projetos do Ministério da Defesa do cálculo da meta leva o resultado para um superávit de R$ 34,54 bilhões, o que equivale a 0,25% do PIB.
Além disso, o governo projeta um impulso fiscal positivo de 0,6 ponto percentual em 2026. Significa dizer que os gastos públicos serão um motor do crescimento econômico, já que há expectativa de aumento da despesa.
O economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, afirma que o impulso fiscal decorre da decisão do governo de fixar uma meta e buscar no Congresso aprovação para que diversos gastos fiquem fora do cálculo do resultado primário.
“Essa estratégia do governo é cara e arriscada. O mercado cobra uma taxa de juros muito maior para financiar o país e por isso os juros estão em 15% ao ano. As exceções ao arcabouço são um problema e, por isso, a relação entre o PIB e a dívida pública é o indicador fiscal a ser observado. O governo diz que registrará um superávit, mas tem R$ 250 bilhões em despesas fora da meta”, disse Camargo.
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Em 2025, a dívida pública chegou a 78,7% do PIB. Para 2026, a previsão é de que alcance 83,6% da geração de riquezas no país. O endividamento, nas contas do Ministério da Fazenda, crescerá até alcançar 88,6% do PIB em 2032. Nos anos seguintes, a estimativa é de uma tímida queda, até alcançar 88% em 2035.
