Uma forte preocupação ronda o Palácio do Planalto neste ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminha para disputar a reeleição: a possibilidade de governos poderosos nas mãos da direita, como o dos Estados Unidos, tentarem interferir no processo eleitoral brasileiro.

Para se contrapor a esse risco, o próprio Lula já vem buscando fazer articulações internacionais que possam servir de “vacina”. O temor do Planalto parte da premissa de que movimentos vindos de fora terão influência em assuntos internos do país e estarão, de alguma forma, presentes no processo eleitoral.

“Risco Israel” e telefonemas
Um exemplo de “vacina” foi aplicado na última semana. O Planalto ficou atento à viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se apresenta como postulante à corrida presidencial, a Israel. Sabia que do tour do filho 01 de Jair Bolsonaro poderia sair algum ataque a Lula. Dito e feito. Quando Flávio chamou o presidente de “antissemita”, o governo já estava mobilizado para um encontro em Brasília com lideranças judaicas. Na ocasião, Cláudio Lottenberg, presidente da Conib (Confederação Israelita do Brasil), afirmou que Lula “nunca foi antissemita”.

Os 13 telefonemas trocados por Lula com chefes de Estado estrangeiros nas duas últimas semanas obedeceram a mesma lógica de ampliar contatos e construir uma agenda que, de alguma forma, ajude a construir uma espécie de blindagem a ataques políticos vindos do exterior. As conversas abordaram temas sensíveis, com o presidente demarcando posição estratégica em cada um deles. A lista de interlocutores foi do norte-americano Donald Trump ao russo Vladimir Putin, passando pelo chinês Xi Jinping.

Sem esticar a corda
Além disso, em sua primeira viagem internacional do ano, para participar no Panamá Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, Lula teve encontros com líderes da América Latina e Caribe e evitou assuntos que dividem esquerda e direita. Na linha oposta, focou em mostrar como o Brasil enxerga a relação entre os países da região. Estavam no evento desde o esquerdista Gustavo Petro (Colômbia) aos direitistas José Antonio Kast, recém-eleito no Chile, e Rodrigo Paz, eleito na Bolívia.

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Um foco de resistência e de “oposição estrangeira” de difícil manejo é a Argentina, observam integrantes do governo, devido ao estilo do presidente Javier Milei. Mesmo assim, tem valido a lógica da “vacina”. Nesse caso, especificamente, auxiliares de Lula citam uma medida: no ano passado, o Brasil socorreu o país vizinho em meio a uma crise de desabastecimento de combustível. Em caso de provocação retórica de Milei, a “vacina” será dizer que o espírito de cooperação vale mais do que as diferenças ideológicas.

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