A caminhada liderada por Nikolas Ferreira, que reuniu cerca de 18 mil pessoas sob chuva em Brasília, foi acompanhada com mais atenção do que ironia por alguns setores da esquerda. Em conversas reservadas, parlamentares e auxiliares de figuras proeminentes do PT admitem que o ato representou uma demonstração relevante de capacidade de mobilização do bolsonarismo.

“Não dá para negar que foi um movimento muito forte. O bolsonarismo tem um público fiel e o eleitorado que foi para a rua se sentiu representado”, disse um parlamentar da base governista.

Entre alguns petistas ouvidos pelo PlatôBR, a avaliação é a de que o ambiente do ato evocou, em parte, o clima emocional que antecedeu os ataques do 8 de Janeiro – não pela pauta formal, mas pelo engajamento e pelo sentimento de pertencimento.

A leitura interna desses setores também expõe uma autocrítica incômoda: hoje, a esquerda tem dificuldade de promover mobilizações desse porte. “Parte trata como chacota, mas isso não pode ser visto assim. Outra parte enxerga com cautela. No fundo, tem um pouco de inveja por não conseguir mobilizar como antes”, definiu uma das fontes.

“Não me assusta”
Nessa parcela que não se assusta com o ato estão parlamentares que veem no gesto de Nikolas não passou de uma peça de marketing.

Um deputado lembrou que o presidente Lula foi eleito com cerca de 51% dos votos e que o país segue dividido, mas que a caminhada e o protesto que a encerrou não preocupam para as eleições deste ano. “O Brasil é meio a meio. Não podemos subestimar a extrema-direita, mas o movimento não me assusta”, afirmou.

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Outro parlamentar diz que Nikolas falou para a própria bolha e que quem esteve nas ruas foi majoritariamente o eleitorado bolsonarista mais fiel. “Foi uma bela peça de comunicação, mas ele falou para os dele. Dezoito mil pessoas não me apavoram e não mudam, sozinhas, a correlação de forças”, disse.

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