Bastou retornar das férias de duas semanas e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já se viu diante das pressões que envolvem a indefinição sobre quem será o candidato da direita nas eleições de outubro.

Ainda que Jair Bolsonaro tenha lançado publicamente a candidatura de seu filho 01, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ),  tanto políticos bolsonaristas quanto setores importantes da elite política e econômica resistem à ideia e enxergam o governador como a melhor opção para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já disse que disputará a reeleição.

O peso sobre Tarcísio aumentou ainda mais com os números da pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta terça-feira, 13. Entre os diferentes cenários pesquisados e os vários nomes testados, o governador é quem aparece com melhores condições de disputar o Planalto com Lula, ficando tecnicamente empatado com o petista em um eventual segundo turno.

Nos bastidores, aliados do governador consideram o cenário aberto, e admitem a possibilidade de ele se lançar à Presidência da República. Esses mesmos aliados dizem, porém, que Tarcísio não tomará a decisão por agora. Pessoas próximas não descartam, inclusive, a possibilidade de ele deixar o Republicanos para disputar a eleição pelo PL, o partido de Jair e de Flávio Bolsonaro.

Essa leitura ganha força na medida em que políticos do campo da direita percebem que Flávio, apesar de ter crescido nas pesquisas desde o lançamento de seu nome pelo pai, não conseguiu “furar a bolha” nem diminuir sua rejeição, que chega a 60%.

Uma parcela dos aliados redobra as apostas em Tarcísio de Freitas com o cálculo adicional de que ele pode avançar sobre os votos do eleitorado de centro.

Esses aliados dizem que, ainda que o governador vá para o PL, a ideia é apresentá-lo como um candidato moderado e uma “alternativa” da direita ao bolsonarismo-raiz. Tarcísio, segundo uma pessoa próxima, “não aparecerá como plano A”, mas sim como “plano B” da direita e do próprio Jair Bolsonaro, considerando que Flávio foi a primeira escolha de Jair Bolsonaro.

A estratégia se baseia no fato de que toda vez que se associa mais à direita radical e mais alinhado com Jair Bolsonaro, Tarcísio perde pontos entre os eleitores de centro, considerados cruciais para o resultado da eleição.

Discurso de candidato
Nesta terça, dia da divulgação da pesquisa que o apresenta como o candidato mais forte para a disputar com Lula, o governador foi às redes reforçar a condição de oponente do petista. “A verdade é uma só: o Brasil não aguenta mais 4 anos de PT. Estamos limitando o nosso potencial como nação e tirar esse governo atrasado é o único lado que a direita precisa ter em 2026”, postou.

Se decidir pela candidatura ao Planalto, o governador terá que deixar o cargo até abril. A decisão é esperada ansiosamente por partidos de peso, como o PSD de Gilberto Kassab, que dependem dela para definir que rumo tomarão nas eleições.

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Se Tarcísio for candidato à reeleição, o próprio Kassab tende a se lançar como vice. Caso concorra ao Planalto, Kassab pode se candidatar ao governo paulista ou lançar outro nome do PSD – um dos cotados, nesse cenário, é o atual vice-governador, Felicio Ramuth.

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