Tarcísio de Freitas começa o ano enfrentando uma crise com a polícia paulista. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) afirma que o governador cortou pela metade os recursos para combater o crime organizado, enquanto seu então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, voltava ao Congresso para relatar o PL Antifacção.
Em pé de guerra com o governador, o Sindicato divulgou, na semana passada, uma nota comparando os recursos investidos pelo prefeito Ricardo Nunes com os de Tarcísio. O prefeito de São Paulo aumentou em 26% a verba de segurança para 2026 e Tarcísio, 3,6%, de acordo com o sindicato. A comparação incomoda o governador duplamente, até porque Nunes estava cotado para ser seu sucessor na corrida ao governo paulista.
O orçamento da Segurança Pública de Tarcísio é de R$ 21 bilhões para 2026. Para combater o crime organizado, a verba caiu de R$ 666,4 milhões em 2025 para R$ 325,8 milhões este ano.
“É uma contradição muito grande. Principalmente porque nós sabemos que hoje o estado de São Paulo tem sido frequentemente atacado por diversas organizações criminosas nos mais variados segmentos de crimes, afirmou à coluna o delegado e professor de direito Edson Pinheiro, dirigente do sindicato.
O delegado diz que o governo cortou também o programa de seleção e aperfeiçoamento dos policiais civis de R$ 984,8 milhões para R$ 562,4 milhões.
“Nossa instituição, dos delegados da polícia, está na ponta da lança, lida diretamente com a investigação e prisão de organizações criminosas. Então, quando você tem um valor reduzido, é passado um recado muito claro de que esse não é um fator importante para o o governo”, disse o delegado.
Pinheiro afirmou que a entidade tentou negociar com o governo, mas não houve diálogo. O delegado criticou também a declaração recente de Tarcísio de que o domínio do PCC nos presídios de São Paulo havia acabado.
“Soa até engraçado isso. Negar uma realidade. Nós sabemos que [a afirmação] não condiz ali com a verdade dos fatos. Basta verificar as conversas, as informações prestadas pelos agentes que trabalham no sistema carcerário”, disse ele.
Apesar da tensão com os delegados, não está prevista nenhuma paralisação. O tema, no entanto, deve virar mote de campanha. “São promessas feitas e promessas que não são cumpridas. E isso acende um alerta à toda a população. Nós não temos esse poder de interferir no pleito, mas a população tem que ser comunicada”, disse o delegado.
Em nota à coluna, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que o orçamento da pasta aumentou 33,3% em relação ao governo anterior.
Leia a íntegra da nota da SSP:
“A Secretaria da Segurança Pública esclarece que a média orçamentária da pasta nos últimos quatro anos cresceu 33,3% em relação ao período anterior. Descontados os gastos previdenciários, que, por determinação da Secretaria do Tesouro Nacional, desde 2023 são registrados e executados exclusivamente pela São Paulo Previdência, os investimentos da atual gestão em segurança atingiram R$ 19 bilhões em 2025 e estão previstos mais R$ 21 bilhões para 2026.
Desde o início da atual gestão, a SSP tem mantido um índice médio de execução orçamentária superior a 95%, e avançado na recomposição dos efetivos, na valorização dos profissionais e na modernização das polícias. Nesse período, 11 mil novos policiais foram contratados, foi concedido um reajuste salarial médio de 25,2% a todos as carreiras das forças de segurança, R$ 1,1 bilhão em bônus foram pagos e mais de 62 mil equipamentos entre novas viaturas, armamentos e coletes balísticos adquiridos e incorporados ao patrimônio das corporações. Essas aquisições complementam as compras realizadas nos dois últimos anos da gestão anterior, quando foram adquiridos equipamentos de maior valor como helicópteros e viaturas blindadas, que seguem em uso pela administração.
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Paralelamente, a atual gestão reforçou os investimentos em sistemas de inteligência e novas tecnologias, o que permitiu ao Estado de São Paulo alcançar, em 2025, os menores índices de homicídios e latrocínios desde 2001, além de expressivo aumento na produtividade policial: mais de 202,3 mil infratores presos, 196,4 toneladas de drogas apreendidas e 12,8 mil armas de fogo ilegais retiradas de circulação.”
