Agora presidente do PSB, o prefeito de Recife, João Campos, almoçou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar, entre outros pontos, o apoio à sua candidatura ao governo de Pernambuco em 2026. Mais que o apoio, Campos quer ser o único candidato de Lula no estado, mas o presidente ainda cogita a hipótese de estar em dois palanques no estado – o segundo seria em composição com o PSD, encabeçado pela governadora Raquel Lyra, que tentará a reeleição.

O argumento de João Campos para convencer o presidente passa pela “relação histórica” do PSB com o PT e até pela relação de Lula com o pai dele, Eduardo Campos, morto durante a campanha presidencial de 2014 em um acidente de avião. À época, a candidatura de Campos foi lançada como “terceira via” contra a reeleição de Dilma Rousseff.

O ministro do Empreendedorismo, Marcio França (PSB-SP), que pretende ser candidato ao governo, em São Paulo, também esteve no almoço em busca de apoio de Lula para que ele encabece uma chapa ao governo de São Paulo. Nesse caso, a composição terá que contar com o ministro Fernando Haddad (PT), cujos planos políticos ainda não estão muito claros, mas incluem a hipótese de ser o candidato de Lula ao Palácio dos Bandeirantes.

Metas do PSB
Até o momento, o PSB elencou algumas prioridades. A primeira é manter Geraldo Alckmin como vice na chapa à reeleição, rejeitando, nesse caso, que Alckmin encare uma candidatura ao governo paulista em uma composição com o PT.

Outra prioridade do partido é reforçar a bancada na Câmara. O PSD tem hoje 15 deputados. Durante o governo de Dilma Rousseff, antes de se dividir entre apoiadores da presidente e opositores, especialmente aqueles que apoiavam a Operação Lava Jato, o partido chegou a ter 32 deputados.

Agora, a intenção é tentar recompor a bancada tanto nas eleições de 2026 quanto no convite para deputados de outros partidos entrarem na legenda quando abrir a janela que permitirá mudanças sem ferir a cláusula de fidelidade partidária – ou seja, em abril. Nesse tempo, o senador Cid Gomes (PSB-CE), por exemplo, pretende atrair para o PSB cinco novos deputados do PDT no Ceará.

Fator Minas
A candidatura de João Campos, apesar de lançar luz sobre candidatos à Câmara, não entra exatamente nas duas metas macro do partido na aliança com o PT. Está mais na intenção de apostar em candidaturas que a legenda considera com boas chances de eleição. Além de Pernambuco e São Paulo, Campos tem buscado fortalecer o partido em Minas Gerais. Ele convidou para se filiar ao PSB o atual presidente da Assembleia Legislativa mineira, Tadeu Martins Leite, hoje no MDB. O deputado estadual ainda não deu resposta e, caso mude de partido, seu nome será lançado ao governo.

Outro que Campos convidou em Minas para se filiar ao PSB foi o deputado federal Diego Andrade (PSD), dentro da estratégia de reforçar a bancada na Câmara, mesmo antes da eleição. Concorre com os movimentos de Campos em Minas um outro projeto político, que chegou até a ser anunciado por Lula: lançar Rodrigo Pacheco (PSD), ex-presidente do Senado, ao governo. O problema é que Pacheco ainda não deu a resposta se topará a empreitada.

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