O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, afirmou que tem “coragem” para disputar novamente a Presidência da República antes de 2030. A declaração foi feita nesta sexta-feira (30), durante uma transmissão ao vivo no Instagram. É a primeira manifestação do parlamentar a apoiadores desde que deixou o Brasil, na terça-feira (27), com destino aos Estados Unidos.

“Isso [os cerca de 60 milhões de votos] me dá muita força, muita consciência, ainda mais coragem para enfrentar o que tiver que enfrentar, se preciso for, para resgatar, para salvar o nosso país, para disputar mais uma eleição para presidente da República. Eu não estou falando de 2030, não, eu estou falando de antes disso”, declarou.

Durante a transmissão, que durou aproximadamente 20 minutos, Flávio voltou a questionar o resultado das eleições e insinuou que houve fraude, mas não apresentou provas. O senador afirmou que não concorda com a proclamação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e classificou como “matematicamente impossível” o desempenho de Lula no segundo turno.

“É uma honra que poucos no Brasil podem carregar, ser tão bem votado assim, sabendo que meus votos realmente vieram de eleitores reais”, afirmou.

O parlamentar também acusou o adversário de cometer irregularidades durante a campanha. “Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram anulados pelo VAR [árbitro de vídeo]. Jogou completamente fora da legislação eleitoral”, disse.

Na segunda-feira (26), Flávio anunciou que pretende apresentar uma ação eleitoral por abuso de poder político e econômico contra Lula. Entre as alegações está a de que o presidente teria utilizado a máquina pública para obter vantagem na disputa. A título de exemplo, o senador citou o aumento do valor do Bolsa Família às vésperas da votação.

O senador também mencionou casos de governadores que perderam os mandatos por abuso de poder econômico e político e defendeu a adoção de mais mecanismos de segurança no sistema eleitoral. “Enquanto nós não tivermos mais camadas de segurança para as eleições, elas vão continuar acontecendo diante do manto da desconfiança”, afirmou.

No segundo turno, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O petista reverteu a vantagem do adversário, que havia terminado o primeiro turno na frente.

Flávio fala em queda do governo Lula

Na transmissão, o senador também projetou um possível enfraquecimento do governo Lula e comparou o cenário econômico atual ao período que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016.

“Se ele [Lula] fizer aquilo que ele prometeu, o Brasil vai quebrar ainda mais rápido. Então, infelizmente, o Brasil está fadado a quebrar. Eu acho que esse é um dos fatores que vai acabar derrubando o atual presidente da República, muito antes do que muita gente imagina”, declarou.

“A minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo. O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”, acrescentou.

Flávio também afirmou que pretende atuar no Congresso Nacional para fazer oposição ao governo. Segundo ele, o Senado será uma das principais frentes de resistência a partir de 2027, quando a direita deverá contar com uma bancada expressiva.

O parlamentar declarou apoio à candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha presidencial, à presidência do Senado. A eleição para o comando da Casa está prevista para fevereiro de 2027.

“É a única forma de a gente conseguir ter uma resistência para impedir ou retardar o grande caos que o atual presidente da República vai instaurar no nosso país”, afirmou.

Saída do Brasil e críticas a Moraes

Flávio Bolsonaro contou que decidiu deixar o país após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar, na segunda-feira (26), em Brasília. Na ocasião, agentes da Polícia Federal o comunicaram sobre o cancelamento de seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o senador, a abordagem foi uma tentativa de intimidação. “Então, eu olhei para a cara dele e falei: 'Pai, começou a perseguição'. Até um pouco antes do que eu imaginava que começaria, porque todos sabem que o Brasil hoje vive um regime de exceção”, relatou.

Flávio afirmou que conversou com a mulher, Fernanda Bolsonaro, antes de viajar e que a decisão foi tomada sem envolver aliados na organização da saída do país.

“Eu perdi para o sistema, não perdi para meu adversário. [...] Então eu falei que eu não me submeteria a isso. Isso não é nenhum sinal de fraqueza, não, gente. Eu posso ser tudo, menos burro. Eu soube fazer análise de cenário e entendi onde é que eles chegariam — e rápido, mais rápido do que eu imaginava”, declarou.

O senador também negou envolvimento em irregularidades relacionadas a contas bancárias do advogado Willer Tomaz, investigado em um caso de suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio classificou o advogado como amigo e disse ser alvo de acusações falsas.

O parlamentar também é investigado em um inquérito no STF relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro que recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Críticas a negociações sobre Bolsonaro

Durante a live, Flávio criticou as articulações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), envolvendo uma possível anistia ou indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O senador classificou como “nojentas” as tentativas de negociação que, segundo ele, utilizariam a liberdade do pai como moeda de troca para obter apoio da direita à reeleição de Alcolumbre ao comando do Senado.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Flávio também repetiu o discurso de que pretende exercer sua liderança política a partir dos Estados Unidos. Em carta divulgada anteriormente, chegou a se apresentar como “presidente eleito” do Brasil, mas posteriormente recuou da declaração.

compartilhe