O criador de conteúdo Camille Carissimo reagiu a um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em que o parlamentar acusa a esquerda de vandalizar monumentos na França e na Espanha em meio à disputa pela Presidência da República no Brasil. Em uma gravação publicada nas redes sociais, o influenciador rebate a identificação de um dos monumentos citados pelo deputado e afirma que pichações durante manifestações são uma forma de expressão comum na França.
“Sou francês, de Paris, e isso é uma besteira”, diz Camille, em tradução livre, ao iniciar a resposta. Ele afirma que o monumento mostrado nas imagens não é o Arco do Triunfo, como declarou Nikolas, mas a Porte Saint-Denis, um arco monumental localizado na capital francesa.
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“Primeiro, aquilo é a Porte Saint-Denis. Não é, de jeito nenhum, o Arco do Triunfo. Você diz que é o monumento mais famoso do mundo, mas nem consegue reconhecê-lo”, afirma o influenciador, em tradução livre.
Nikolas publicou o vídeo na quinta-feira (22/10), em inglês. Na gravação, ele afirma que atos atribuídos à esquerda brasileira estariam prejudicando a imagem do país no exterior e pede desculpas aos franceses e espanhóis.
“Em nome do Brasil, quero pedir desculpas pelo que a esquerda está fazendo na França, na Espanha e também aos símbolos dos Estados Unidos”, afirma o deputado, em tradução livre.
O parlamentar cita o Arco do Triunfo, em Paris, e a Plaça de Catalunya, em Barcelona. Segundo ele, os locais teriam sido alvo de pichações relacionadas à disputa eleitoral brasileira, com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Francês diz que pichações são comuns em protestos
Na resposta, Camille também contesta a forma como Nikolas apresenta as pichações como um episódio excepcional. O influenciador argumenta que, na França, é comum que manifestantes usem tinta em spray em paredes e em alguns monumentos localizados nos trajetos dos protestos.
“Em segundo lugar, durante os protestos na França, é bastante normal usar tinta em spray nas paredes e em alguns monumentos que ficam no percurso das manifestações. Isso é lavado no dia seguinte”, afirma, em tradução livre.
Camille diz que foi pessoalmente verificar a situação e que as inscrições já haviam sido removidas. “Acabei de ir lá e conferi. Já foi lavado”, declarou.
O influenciador sustenta que o uso de tinta em spray em espaços públicos faz parte das formas de expressão observadas durante manifestações no país. O argumento contrasta com a interpretação de Nikolas, que relacionou as pichações à campanha eleitoral brasileira e afirmou que os atos prejudicam a imagem do Brasil no exterior.
‘A França não gosta do bolsonarismo’
Camille também leva a resposta para o campo político ao comentar a relação entre os dois países e a corrente política ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“A França é um país amigo do Brasil. A França é o país da Revolução. E a França não gosta do bolsonarismo. Não gosta”, afirma o influenciador, em português.
A declaração acrescenta uma crítica política à contestação sobre o monumento e sobre o significado das pichações durante protestos franceses.
Ao final de seu vídeo, Nikolas pede que a gravação seja compartilhada internacionalmente e afirma que, se a esquerda pretende manchar a imagem do Brasil, haverá quem esteja disposto a ajudar a limpá-la.
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Camille Carissimo produz conteúdo sobre a língua francesa e a cultura da França, com explicações sobre expressões, gírias e formas informais de comunicação usadas no cotidiano. A reação à publicação de Nikolas combina a correção sobre a identificação do monumento com uma contestação à interpretação política apresentada pelo deputado.
