O senador Flávio Bolsonaro reuniu sua visão sobre a história política brasileira no livro "Mito ou verdade", lançado em 2017. Naquela época, o parlamentar cumpria o quarto mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e articulava sua candidatura ao Senado Federal, cargo para o qual foi eleito em 2018.
A publicação resgata a defesa do golpe de 1964 e valoriza a atuação do regime militar que perseguiu, prendeu e matou opositores. O autor sustentou que os agentes estatais da repressão mereciam reconhecimento público: “Ao invés (sic) de marginalizados, deveriam ser tratados como heróis nacionais”. O livro foi resgatado pelo jornalista Bernardo Mello Franco, do jornal “O Globo”.
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Homenagem a torturador e ataques a vítimas
Seguindo a mesma linha de conduta do pai, Flávio dedicou elogios ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O militar comandou ações violentas e levava crianças para assistirem à tortura dos próprios pais durante os interrogatórios da ditadura.
O livro apresenta o oficial como “homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria”. Na avaliação exposta pelo autor, o militar reformado acabou “massacrado pela mídia” ao longo das décadas seguintes.
O senador também dirigiu críticas severas aos trabalhos da Comissão da Verdade, colegiado encarregado de apurar crimes cometidos no período autoritário. Ele acusou o grupo de “tentar reescrever a História à luz da visão dos terroristas”.
Ao abordar mortos daquele período, Flávio atacou a memória de opositores da repressão estatal. O texto sugeriu que grupos de esquerda causaram o assassinato do ex-deputado Rubens Paiva, morto nas dependências do DOI-Codi.
Tribuna como espaço de exaltação militar
Durante sua passagem pelo parlamento estadual fluminense, Flávio transformou a tribuna em palco permanente de comemoração ao dia 31 de março. A data marca o aniversário do golpe militar e recebe celebrações constantes de grupos de extrema direita.
Em discurso proferido em 2004, o então deputado estadual registrou sua posição sobre o período autoritário: “Fica aqui o meu repúdio a essa massificação que é feita com relação ao regime militar, esquecendo-se do grande avanço econômico, social e político que tivemos”.
Cinco anos depois, em 2009, o parlamentar voltou ao plenário para reafirmar seus laços com a corporação armada: “Para mim, é motivo de muito orgulho e agradecimento aos militares”.
As manifestações continuaram em 2010, quando o deputado contestou narrativas históricas: “A esquerda, hoje no poder, insiste em falar que houve um golpe”. O discurso refletia a linha mantida pela família nos mandatos legislativos.
No ano seguinte, em 2011, ele classificou o aniversário do golpe como uma “data especial”. Declarou necessária a luta contra “a mentira de que houve um golpe militar” e resumiu o cenário familiar: “Todos já conhecem o posicionamento da família Bolsonaro”.
A herança política e a estratégia eleitoral
A postura de Flávio espelha a trajetória do patriarca da família, que construiu carreira com a defesa de atos autoritários. Jair Bolsonaro sempre exaltou a violência de Estado, defendeu a impunidade de torturadores e ofendeu parentes de mortos e desaparecidos.
Em 2014, durante a reabertura do caso Riocentro pelo Ministério Público Federal, Jair acompanhou pessoalmente o interrogatório de um militar investigado. Perante os procuradores, ele atacou a Comissão da Verdade e defendeu abertamente a volta da Operação Condor no Cone Sul.
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