O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (15/10) que desconhecia a ausência de reajuste nos valores do Bolsa Família durante seu governo. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o candidato à reeleição disse que cobrou explicações dos ministros e determinou a correção dos benefícios após tomar conhecimento da situação.

“Eu não sabia. É inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas. É impensável, mas aconteceu”, declarou o presidente à jornalista Renata Lo Prete.

O reajuste de 15,04% foi anunciado em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro. Com a medida, o benefício mínimo passou de R$ 600 para R$ 691. 

Durante a entrevista, Lula negou que a decisão tenha sido motivada por interesses eleitorais. Questionado sobre a ausência de previsão para o aumento na proposta de Orçamento de 2027, enviada ao Congresso Nacional em 31 de agosto, o presidente afirmou que só determinou a correção depois de descobrir que os valores não haviam sido reajustados.

“Eu fiquei sabendo que não tinha sido aumentado o Bolsa Família e fui perguntar por que não tinha aumentado o Bolsa Família. Se tem espaço fiscal para aumentar, por que não aumentar?”, disse.

O presidente também afirmou que havia recursos disponíveis para viabilizar a medida e defendeu a situação fiscal do governo. Segundo ele, a proposta orçamentária foi encaminhada ao Congresso com previsão de superávit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Impacto nas contas públicas

O reajuste foi anunciado pelo governo como uma forma de recompor a inflação acumulada desde a retomada do Bolsa Família, em março de 2023. Até então, os valores gerais do programa não haviam passado por uma correção dessa natureza durante o atual mandato de Lula.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o reajuste no Bolsa Família terá impacto estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e em cerca de R$ 22,7 bilhões em 2027. Como a proposta orçamentária encaminhada anteriormente não previa o aumento, o governo precisará ajustar o planejamento das despesas.

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A declaração de Lula ocorre em meio à campanha para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, quando ele enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL).

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