O ex-deputado federal Victório Galli, autor do projeto de lei que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, integrou o governo de Jair Bolsonaro. O pastor evangélico foi nomeado assessor especial da Presidência da República em fevereiro de 2019, no primeiro mês do mandato, e permaneceu no cargo até junho daquele ano.
A informação ganha relevância em meio à polêmica que tomou as redes sociais nesta semana. O PL 2.623/2007, apresentado por Galli e arquivado em 2008, foi resgatado e associado ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, depois de um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes no programa "Em Pauta", da GloboNews, na quinta-feira (24/9). O canal corrigiu a informação e pediu desculpas. Flávio nega qualquer intenção de alterar o título da santa e não tem relação com a autoria da proposta.
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Articulação com a Câmara
Galli foi nomeado para atuar na Secretaria Especial para a Câmara dos Deputados, vinculada à Casa Civil, então comandada pelo ministro Onyx Lorenzoni. A função era de articulação entre o Executivo e o Legislativo. O cargo tinha salário de R$ 16,9 mil.
A nomeação ocorreu após a aproximação do pastor com o grupo político de Bolsonaro. Em 2018, Galli disputou a reeleição para a Câmara pelo PSL, mesmo partido pelo qual o ex-presidente concorreu ao Planalto, e declarou apoio ao então candidato. Com 52.947 votos, ficou na suplência e não conseguiu renovar o mandato que exercia desde 2015.
Saída em junho
A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União em 10 de junho de 2019. O ato registrou que a saída ocorreu a pedido. Na mesma publicação, Onyx Lorenzoni exonerou outros dois assessores especiais da Presidência que atuavam na Câmara.
À época, Galli confirmou a saída e afirmou que a exoneração havia sido previamente combinada com o presidente e que ele seria remanejado para outra função no governo. Reportagens da imprensa mato-grossense informaram que a saída teria ocorrido para que ele ajudasse nas articulações da reforma da Previdência.
Meses depois, Galli deixou o PSL e assumiu a presidência do Patriota em Mato Grosso, declarando a intenção de disputar a Prefeitura de Cuiabá como candidato "terrivelmente cristão".
O projeto
Apresentado em dezembro de 2007, quando Galli exercia o mandato como suplente pelo então PMDB, o PL 2.623/2007 alterava a Lei 6.802/1980, que instituiu o feriado de 12 de outubro. O texto trocava a expressão "Padroeira do Brasil" por "Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". Na justificativa, o autor argumentava que o Estado laico não deveria ter padroeiro. A proposta foi arquivada em agosto de 2008.
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De volta às urnas
Aos 65 anos, Galli tenta voltar à Câmara dos Deputados. Ele é candidato a deputado federal por Mato Grosso pelo PP, com o número 1123, nas eleições de 4 de outubro. Segundo a Revista Fórum, o pastor mantém apoio público à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e já esteve com o senador em agenda de campanha em Sinop (MT).
