O candidato do MDB ao governo de Minas Gerais, Gabriel Azevedo, afirmou nesta terça-feira (8/9), que pretende equilibrar as contas do estado sem aumentar impostos. Durante encontro com presidentes e diretores das câmaras de dirigentes lojistas de Minas Gerais, em Belo Horizonte, ele apresentou propostas para o comércio, os serviços e o turismo.

As 209 CDLs são representadas por uma federação, com mais de 80 mil empresas associadas. Gabriel respondeu aos seis eixos apresentados pela entidade, que incluem comércio, governança, infraestrutura e transportes, políticas sociais e sustentabilidade, sistema tributário estadual, turismo e economia criativa.

Associado à CDL da capital e dono de bar há cerca de cinco anos, Gabriel afirmou que também conhece, como empresário, a rotina de quem precisa contratar funcionários, atender clientes, organizar escalas, pagar fornecedores e recolher impostos.

“Eu sei o que significa abrir a porta e fazer a conta fechar. Conheço a responsabilidade de pagar funcionário e fornecedor antes de pensar no que sobra para o dono. O estado precisa compreender a realidade de quem trabalha e parar de transformar burocracia em custo.”

O ex-vereador já havia recebido e respondido ao Manifesto do Varejo 2026 durante agenda com a CDL Uberlândia. Desta vez, o documento apresentado pela FCDL-MG reúne demandas específicas de Minas Gerais e medidas de competência estadual.

“A saída para o déficit não é aumentar impostos”

A situação fiscal de Minas Gerais e seus impactos sobre o ambiente de negócios estiveram entre os principais temas do encontro. Gabriel afirmou que pretende fazer a despesa primária crescer menos que a receita e avaliar de forma permanente os resultados das políticas públicas.

“A conta precisa fechar no governo como precisa fechar numa empresa. A diferença é que governo não existe para dar lucro: existe para entregar serviço público. Minha regra é fazer a despesa primária crescer menos que a receita. A saída para o déficit não será aumentar impostos.”

O candidato também defendeu maior transparência sobre os benefícios fiscais concedidos pelo estado. A proposta apresentada à federação prevê um painel com informações sobre beneficiários, contrapartidas, custos, objetivos, prazos e resultados, respeitadas as restrições legais.

Durante a entrevista, Gabriel afirmou ainda que pretende acompanhar a transição do ICMS para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) para evitar prejuízos a Minas Gerais e defendeu medidas para reduzir etapas, deslocamentos e prazos considerados desnecessários para comerciantes.

Entre as propostas está a criação de uma carta mineira de serviços públicos, com informações sobre as responsabilidades de cada órgão, além da implantação dos governos regionais defendidos pelo candidato. “Cuidar das contas é cuidar das pessoas. Um estado permanentemente deficitário perde capacidade de investir em educação, infraestrutura, saúde e segurança. Quero avaliar o que funciona, corrigir o que não funciona e preservar aquilo que entrega resultado.”

BDMG e revisão da substituição tributária

O papel do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) também foi discutido no encontro. Gabriel propôs ampliar o uso da instituição para financiar investimentos e produtividade, com atenção aos pequenos negócios e às atividades econômicas de cada região.

“O BDMG precisa ser banco de desenvolvimento, não simplesmente banco que empresta dinheiro. Quero saber o que aconteceu depois do crédito: a empresa se modernizou? Foram criados empregos? Houve investimento? A produtividade aumentou? Dinheiro público precisa produzir resultado.”

Para micro e pequenas empresas, a proposta é avaliar instrumentos voltados para digitalização, eficiência energética, expansão produtiva e modernização tecnológica. Na entrevista, Gabriel também associou o uso do BDMG à Fapemig e aos distritos de inovação como forma de estimular inovação no pequeno comércio.

Outro ponto levantado pela FCDL-MG foi a substituição tributária do ICMS. O candidato se comprometeu a revisar o modelo levando em consideração capital de giro, competitividade, custos para as empresas e impacto sobre a arrecadação.

“O pequeno comerciante não pode ser obrigado a financiar antecipadamente um imposto calculado sobre uma margem que depois pode nem existir. Não vou extinguir tudo irresponsavelmente nem manter tudo por inércia. Vamos analisar cadeia por cadeia e reduzir a substituição tributária onde houver justificativa.”

A resposta apresentada à entidade também aborda aproveitamento de créditos tributários, Difal, alíquotas de produtos essenciais e restituição de ICMS.

Infraestrutura, turismo e feiras itinerantes

Gabriel também relacionou as demandas do comércio aos projetos de infraestrutura defendidos pela campanha. A proposta prevê integração entre aeroportos, ferrovias, portos secos, rodovias e terminais, além de manutenção das estradas e preparação de projetos ferroviários. “Comércio forte não depende apenas de imposto. Depende de gente qualificada, logística funcionando, segurança na rua e turista circulando. Quero olhar para a economia regional como um conjunto.”

No turismo, o candidato defendeu qualificação dos destinos e fortalecimento da economia criativa, com atenção à gastronomia mineira. Durante a entrevista, também citou qualificação profissional de acordo com as necessidades do comércio e políticas voltadas ao empreendedorismo feminino.

Dirigentes das CDLs ainda questionaram Gabriel sobre a concorrência entre o comércio permanente e as feiras itinerantes. O candidato afirmou que, se eleito, pretende enviar à Assembleia Legislativa, nos primeiros 100 dias de governo, uma proposta sobre os pontos que são de responsabilidade do estado, respeitando as atribuições dos municípios.

“Não sou contra feira. Sou a favor de regra igual. Quem mantém uma loja aberta o ano inteiro assume uma série de obrigações. Quero critérios de isonomia e regularidade para que ninguém tenha vantagem simplesmente porque está submetido a regras mais fáceis.”

Gabriel defende fiscalização da Copasa

Durante a entrevista, diante dos recentes episódios, Gabriel também foi questionado sobre a Copasa e voltou a se posicionar contra a privatização da companhia. Segundo ele, água e saneamento são serviços essenciais e a empresa deve ser cobrada pelo cumprimento dos contratos e das metas estabelecidas para cada município.

O candidato propôs atuação da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG) na fiscalização dos serviços, em conjunto com municípios, prefeitos e vereadores.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Gabriel afirmou ainda que pretende dar prioridade à ampliação da coleta e do tratamento de esgoto. Segundo ele, cerca de 42% do esgoto de Minas Gerais não são tratados. O candidato também defendeu redução das perdas de água, melhoria dos encanamentos e acompanhamento do tempo de resposta às reclamações dos consumidores.

compartilhe