Antes de chegar ao modelo conhecido pelos eleitores brasileiros, a urna eletrônica passou por uma série de protótipos e experimentações. Algumas das soluções testadas há cerca de três décadas, especialmente em Minas Gerais, permanecem utilizadas no equipamento, como as teclas coloridas. 

A decisão de informatizar o voto ocorreu após uma crise na apuração da eleição de 1994 no Rio de Janeiro. À época, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) era o ministro mineiro Carlos Velloso, que decidiu avançar na implementação de máquinas de votar no país. Para isso, a Justiça Eleitoral criou uma comissão dedicada a estudar a informatização do processo e buscou empresas interessadas em desenvolver uma tecnologia que pudesse ser usada nas eleições.

“O TSE lança um chamamento nacional para empresas de informática, que já atuavam em bancos, em outras áreas de processamento de dados, para apresentarem protótipos, modelos que poderiam ser usados para votação”, explica Maria Berenice Sobral, servidora da Seção de Memória Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).

As propostas foram apresentadas em 1995 e passaram por uma avaliação da Justiça Eleitoral. Em Minas Gerais, o TRE-MG se juntou à IBM para desenvolver um dos modelos. O equipamento mineiro apresentava características que seriam incorporadas à urna eletrônica, como o teclado em formato semelhante ao de um telefone e as teclas coloridas para as opções de confirmação (verde), correção (laranja) e anulação do voto (branca). 

"Naquela época, os analfabetos já tinham ganhado o direito de votar na Constituição de 1988. Para fazer uma máquina de votar que eles também pudessem ter acesso, se pensa nessas teclas coloridas", conta Maria Berenice Sobral, servidora da Seção de Memória Eleitoral, do TRE-MG.

Jair Amaral/EM/D.A Press

A escolha das cores levou em consideração a acessibilidade. “Foram pensadas para os analfabetos”, afirma Berenice. A preocupação estava relacionada à ampliação do direito ao voto promovida pela Constituição de 1988, que permitiu a participação de analfabetos. A mudança exigia que a nova tecnologia fosse compreensível para eleitores com diferentes níveis de escolaridade. “Essa ideia saiu daqui de Minas”, diz a servidora.

O protótipo desenvolvido em Minas Gerais, no entanto, não foi a única fonte de soluções incorporadas ao projeto nacional da urna eletrônica. Ideias apresentadas em equipamentos do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul também contribuíram para a construção do modelo nacional. 

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Atualmente, os protótipos desenvolvidos durante esse processo podem ser vistos no Centro de Memória da Justiça Eleitoral de Minas Gerais, aberto à visitação pública de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h, na Avenida Prudente de Morais, 320, Bairro Cidade Jardim, em Belo Horizonte.

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