Uma pesquisa de intenção de voto para o Senado em Minas Gerais, divulgada em 2026 pelo instituto Real Time Big Data, colocou a pauta da representatividade feminina em evidência no estado.
Para as eleições de 2026, Marília Campos (PT), ex-prefeita de Contagem, que lidera com folga todos os cenários testados pelo instituto, com percentuais que oscilam entre 19% e 24% das intenções de voto, a depender da pesquisa. A segunda vaga ao Senado mineiro, por sua vez, segue mais disputada, alternando entre nomes como Marcelo Aro (PP), Aécio Neves (PSDB), Carlos Viana (PSD) e Domingos Sávio (PL).
Desde a Proclamação da República, o cenário político mineiro foi majoritariamente masculino. A sub-representação é um fato histórico que a atual disputa eleitoral pode ajudar a transformar, dependendo do resultado das urnas nas eleições de outubro de 2026.
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Quantas mulheres Minas Gerais já elegeu para o Senado?
Em toda a sua história, Minas Gerais elegeu apenas uma mulher como titular para o Senado Federal. Outras poucas mulheres chegaram a ocupar o cargo, mas sempre na condição de suplentes e por períodos curtos, o que reforça a lacuna de representatividade feminina do estado na política nacional.
A situação de Minas Gerais reflete um desafio presente em todo o Brasil. Apesar de serem a maioria da população e do eleitorado, as mulheres ainda são minoria nos espaços de poder, especialmente no Legislativo federal.
Quem foi a única senadora titular eleita por Minas Gerais?
A única mulher eleita diretamente pelo voto popular para representar Minas Gerais no Senado foi Júnia Marise. Filiada ao Partido da Renovação Nacional (PRN), partido do então presidente Fernando Collor, ela foi eleita em 1990 e cumpriu um mandato de oito anos, entre 1991 e 1999. Em 1993, Júnia se filiou ao PDT, partido pelo qual permaneceu durante a maior parte de seu mandato. Sua eleição foi um marco, mas não se traduziu em uma tendência contínua de ascensão feminina ao cargo no estado.
Desde o fim de seu mandato, a cadeira mineira no Senado foi ocupada exclusivamente por homens eleitos como titulares, completando um ciclo de 28 anos sem representação feminina titular até as eleições de 2026. As poucas presenças femininas no período ocorreram quando suplentes assumiram temporariamente o mandato na ausência do titular.
Quais os desafios para a presença feminina na política?
A baixa representação de mulheres em cargos eletivos, como o de senadora, está ligada a uma série de barreiras estruturais. Entender esses obstáculos é fundamental para compreender por que, mesmo com avanços na legislação de cotas, o cenário muda de forma lenta. Entre os principais desafios estão:
Acesso a financiamento: as campanhas femininas frequentemente recebem menos recursos financeiros, tanto de fundos partidários quanto de doações privadas, o que limita sua competitividade.
Estruturas partidárias: os partidos políticos ainda são, em sua maioria, controlados por homens, que acabam por privilegiar candidaturas masculinas nos espaços de maior visibilidade e poder de decisão.
Violência política de gênero: ataques, assédio e disseminação de informações falsas são frequentemente direcionados a mulheres na vida pública, com o objetivo de intimidar e desestimular sua participação.
Jornada dupla e tripla: a sobrecarga com tarefas domésticas e o cuidado com a família, culturalmente atribuídos às mulheres, impõe uma barreira adicional para a dedicação integral à carreira política.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
