Minas Gerais foi o principal polo de produção das urnas eletrônicas brasileiras por cerca de duas décadas. Em 2004, a empresa Diebold ganhou a licitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e passou a produzir os equipamentos na fábrica instalada em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, cidade conhecida como Vale da Eletrônica. A fabricação permaneceu no município até 2020, quando a Positivo Tecnologia assumiu a produção dos modelos mais recentes, em Manaus (AM) e Ilhéus (BA).

Desde o início do uso das urnas no Brasil, a fabricação do equipamento é feita por empresas contratadas pela Justiça Eleitoral. Para selecionar a responsável pela produção, o TSE abre um edital de licitação pública, com participação exclusiva das empresas de tecnologia sediadas no Brasil.

No edital, a Justiça Eleitoral estabelece prazos, etapas e especificações técnicas, operacionais e financeiras que devem ser cumpridas, além dos requisitos mínimos de desempenho e qualidade necessários para a aprovação da urna eletrônica. 

No entanto, a empresa contratada não desenvolve todo o equipamento. Apenas a produção da parte física da urna, o hardware, é terceirizada. O projeto técnico e o sistema de votação, que corresponde ao software, continuam sob responsabilidade exclusiva da Justiça Eleitoral. 

“Faz tudo parte de um processo, que começa com a fabricação da urna por meio da licitação, acompanhada sempre pelo TSE. Depois, o desenvolvimento do código é centralizado no TSE e distribuído para todas as urnas que funcionam no país. A gente tem uma cadeia integrada tanto de hardware, desenvolvimento e fabricação da urna, quanto de software, dos sistemas que vão funcionar”, explica Glaysson Gomes Rocha, titular da Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). 

Produção de urnas eletrônicas em fábrica de Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas Gerais, em 2004.

Arquivo EM.

Para impedir que as empresas contratadas façam alterações não autorizadas nas urnas, a Justiça Eleitoral utiliza assinaturas digitais, que permitem verificar a autenticidade e a integridade dos equipamentos, dos sistemas e dos arquivos utilizados e produzidos pelo equipamento. 

A assinatura digital é uma forma de identificação eletrônica. Ela permite confirmar que determinado sistema ou arquivo foi produzido e autorizado por quem possui a chave correspondente e que o conteúdo não foi alterado depois da assinatura.

Com essa certificação digital, há uma verificação dupla da Justiça Eleitoral. A urna eletrônica só executa sistemas assinados digitalmente pelo TSE. Ao mesmo tempo, os sistemas operacionais desenvolvidos pela Justiça Eleitoral só podem ser executados em urnas certificadas, autorizadas e assinadas digitalmente pelo órgão eleitoral. 

"A gente tem uma cadeia integrada tanto de hardware, desenvolvimento e fabricação da urna, quanto de software, dos sistemas que vão funcionar", explica Glaysson Gomes, Secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MG.

Jair Amaral/EM/D.A Press

“A Justiça Eleitoral tem uma série de procedimentos de acompanhamento e fiscalização da produção. No caso do hardware, especificamente, há o acompanhamento in loco da Justiça Eleitoral e depois a homologação de cada uma das urnas que foram produzidas. Depois, o software é da nossa gestão”, diz Glaysson Gomes. 

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Nas próximas reportagens desta série especial sobre a urna eletrônica, serão abordados temas como as fases de auditoria que garantem a transparência do processo e o caminho do voto até a totalização no TSE e a divulgação do resultado.

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