Mais do mesmo ou inovação? Como cada candidato a governador encara o crime?
Além de eixos comuns com os quais os principais concorrentes concordam no combate a facções em Minas, campanhas têm propostas próprias contra o crime organizado
Apesar de os principais candidatos ao governo de Minas Gerais se concentrarem em temas similares no que diz respeito ao combate às facções criminosas no estado, há propostas distintas pelas quais cada um pretende enfrentar os domínios dos braços do crime organizado e frear seu avanço. Confira o que diz cada um, em sequência definida por ordem alfabética, de acordo com o nome usado pelos concorrentes.
O ex-prefeito de BH Alexandre Kalil (PDT) estrutura o enfrentamento por meio do programa “Minas contra o dinheiro do crime”, que propõe articular investigação criminal, inteligência policial e administração tributária estadual, via Secretaria de Estado da Fazenda, para bloquear ativos, confiscar patrimônio e desidratar a liquidez financeira de facções ligadas ao tráfico de drogas e armas, contrabando e mineração ilegal.
No âmbito territorial e penitenciário, defende o que chama de “Muralha digital” para vigiar rotas de tráfico e reforçar a inteligência no sistema prisional, neutralizar ordens de líderes e impedir a consolidação de uma governança interna paralela. O candidato pontua que não basta prender criminosos que estão na ponta. “Vamos fortalecer a inteligência policial, a capacidade investigativa da Polícia Civil e a perícia, relacionando autores, armas, drogas, dinheiro e organizações. As 19 RISPs (Regiões Integradas de Segurança Pública) terão diagnósticos, prioridades e metas para que efetivo, equipamentos e investimentos sejam direcionados conforme a realidade”, disse.
Kalil destacou também a asfixia dos recursos do crime, monitoramento de corredores que são rotas de criminosos, controle aprimorado do sistema prisional e prevenção ao recrutamento de jovens vulneráveis. “Crime organizado precisa perder território, dinheiro e capacidade de operação. Essa política combinará repressão qualificada, prevenção focalizada, tecnologia e presença efetiva do Estado, com estratégias adequadas às diferentes realidades de Minas”, enumera.
BLOQUEIO DE ROTAS
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) concentra a estratégia de enfrentamento na descapitalização financeira das facções e na interdição das rotas de circulação de drogas e armas que cruzam o estado.
Propõe a unificação das bases de dados de todas as forças de segurança em um Comando de Inteligência e prevê a reestruturação da Polícia Penal, implementando a separação física estrita de custodiados de acordo com o perfil criminal, para impedir o recrutamento e o domínio de unidades carcerárias por faccionados.
“O combate ao crime organizado é uma das prioridades da área de segurança pública. A proposta parte do fortalecimento da inteligência, do policiamento e da capacidade de investigação do Estado, com atenção especial à estrutura financeira das facções”, informou a assessoria do candidato.
“A proposta, portanto, combina inteligência, presença territorial, investigação, combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico, fortalecimento do sistema prisional e ações preventivas para enfrentar o crime organizado e reduzir sua capacidade de influência em Minas Gerais”, destaca a equipe que assessora o senador.
COMBATE À SUPERLOTAÇÃO
O presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), aborda o crime organizado a partir do ataque direto ao colapso do sistema penitenciário, diagnosticado como espaço de fortalecimento e cooptação de facções, favorecido pela superlotação. O candidato propõe um plano emergencial com parcerias público-privadas (PPPs) para zerar o déficit de mais de 22 mil vagas e retomar o controle das unidades interditadas. Combina essa medida com a concentração de repressão qualificada e inteligência policial na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde identifica a alta atípica do tráfico de drogas e dos homicídios.
“Não podemos normalizar a criminalidade. Quem escolhe esse caminho precisa voltar a temer a polícia e a aplicação da lei. E isso é uma prioridade do nosso governo. Começa por reforçar a estrutura e as condições de trabalho das polícias. A nossa polícia é a melhor do Brasil e precisa continuar tendo condições para isso. Precisa de mais efetivo, de uma remuneração à altura. São prioridades de suma importância e temos um compromisso com essa categoria, o que inclui dar retaguarda jurídica para atuarem”, disse o candidato do PL, que destacou o fato de o crime organizado não respeitar divisas e defendeu maior articulação com os estados limítrofes e cobrança na atuação do governo federal, com reforço de tecnologia e inteligência.
“Essa atuação integrada precisa ser reforçada com uso de tecnologia e de inteligência, inclusive dentro da prisão, onde precisamos garantir que as facções sejam monitoradas e fiquem de fato isoladas e impedidas de se mobilizar. Patrulhamento com postos permanentes nos corredores de passagem interestadual, leitura automática de placas, videomonitoramento integrado e cruzamento de dados em tempo real permitirão que nossas forças se adiantem, atuando na prevenção e desarticulação das forças criminosas. Aqui, o recado é bem claro: criminalidade não tem vez”, afirma Roscoe.
ORGANIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO
O ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) concentra sua proposta de enfrentamento na ruptura do comando remoto das facções a partir das penitenciárias. Isso ocorreria com a instalação de bloqueadores de celular homologados pela Anatel, operados diretamente pelo Estado, além do isolamento de lideranças criminosas.
O candidato complementa a linha de ação com um Centro Integrado de Inteligência Criminal, com base de dados única e integração federal, dando prioridade a investigações financeiras para apreensão de ativos, cujos valores recuperados seriam reinvestidos na infraestrutura tecnológica das próprias forças de segurança.
“Não dá para o crime ser organizado e o Estado ser desorganizado. O enfrentamento às facções precisa começar pela integração real das forças de segurança e pela inteligência. Nossa proposta é criar um Centro Integrado de Inteligência Criminal para reunir Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e integrar, quando necessário, outras instituições estaduais e federais, como a Polícia Federal”, destaca. “Facção não respeita limite de município nem de estado. A informação do poder público também não pode ficar presa dentro de uma instituição ou de uma fronteira administrativa. Outra prioridade é atingir o dinheiro do crime”, destaca o emedebista.
CERCO À INFILTRAÇÃO
Governador de Minas e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD) estrutura suas propostas de combate às facções a partir do diagnóstico das organizações criminosas como redes transnacionais que atuam simultaneamente no controle territorial, na lavagem de dinheiro via mercado formal e na tentativa de infiltração nas instituições públicas. Ele define como linha prioritária o controle e o monitoramento eletrônico dos fluxos ilícitos nas divisas de Minas com estados vizinhos, somados à integração de bancos de dados federais e à contenção da operação de facções a partir do interior das prisões.
O candidato considera que o crime organizado se tornou “a maior prioridade da segurança pública brasileira”, atuando em disputas pelo controle de comunidades, infiltradas em mercados legítimos e nas instituições, financiando campanhas eleitorais e tentando corromper o sistema de Justiça. “O Brasil atravessa uma transformação profunda no perfil da criminalidade. Esse fenômeno não é exclusivo de nenhum estado ou região: é uma mudança estrutural que atinge todo o país”, afirma. Além disso, contabiliza, na gestão com o ex-governador Romeu Zema (Novo), 214 operações integradas, com 21 toneladas de drogas apreendidas e 18 mil pessoas presas ou detidas.
"O plano 'Minas mais segura' estabelece tolerância zero para a criminalidade organizada. Com controle permanente dos territórios ocupados por facções e da provisão de serviços públicos; combate ao tráfico de drogas como principal financiador; investimento em inteligência financeira; e investigação especializada para rastrear fluxos de lavagem de dinheiro e vigilância permanente sobre tentativas de corrupção do sistema de Justiça, concursos e campanhas”, enumera o candidato.
SISTEMA UNIFICADO
Em suas propostas de combate às organizações criminosas, o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) prioriza o desmantelamento das bases econômico-financeiras e a interrupção da lucratividade do crime organizado. “Entre as propostas está a instituição e consolidação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) no estado, com uma atuação integrada, planejamento conjunto e compartilhamento de informações entre os diversos órgãos ligados ao setor”, informa a assessoria do candidato, prevendo a ampliação do uso da inteligência e fortalecimento das instituições estaduais de segurança pública.
No sistema penitenciário, Patrus defende a separação obrigatória entre condenados por delitos leves e presos de alta periculosidade, para bloquear a expansão do recrutamento de facções, aliando essa medida à redução do encarceramento provisório e à ampliação de centros de ressocialização.
Para o candidato, no fortalecimento e ampliação das ações de desmantelamento das bases econômico-financeiras das organizações criminosas, “as políticas deverão ser integradas com as ações do governo federal, que recentemente lançou o programa ‘Brasil contra o crime organizado’, que prevê ações que visam à asfixia financeira do crime organizado; investimentos no sistema prisional; aumento das taxas de esclarecimentos de homicídios; e enfrentamento ao tráfico de armas”, destaca a equipe do petista.
O QUE ELES PROPÕEM CONTRA FACÇÕES
Confira a íntegra das propostas dos principais candidatos ao governo de Minas para enfrentar o crime organizado no estado. Com base na legislação eleitoral, foram selecionados os mesmos concorrentes que participaram do primeiro debate televisivo, considerando partidos ou federações com cinco ou mais representantes no Congresso Nacional. A sequência de propostas seguem ordem alfabética, de acordo com o nome usado pelo candidato:
Júnia Garrido/Band Minas/Divulgação
Alexandre Kalil (PDT)
“Facções criminosas não se combatem apenas prendendo quem atua na ponta. É preciso chegar às lideranças, ao dinheiro, às rotas, ao recrutamento e à capacidade de operação dessas organizações. Em meu governo, o enfrentamento ao crime organizado terá cinco frentes principais:
Inteligência, investigação e atuação territorial. Vamos fortalecer a inteligência policial e criminal, a capacidade investigativa da Polícia Civil e a perícia, relacionando autores, armas, drogas, dinheiro e organizações. Cada uma das 19 Regiões Integradas de Segurança Pública terá diagnóstico, prioridades e metas próprias, para que efetivo, equipamentos e investimentos sejam direcionados conforme a realidade de cada região.
Combate ao dinheiro do crime. Vamos estruturar o Minas contra o Dinheiro do Crime, integrando, dentro das competências legais, investigação, inteligência, administração tributária estadual e cooperação com órgãos federais e o sistema de Justiça. O objetivo será identificar, bloquear, apreender e retirar recursos que financiam tráfico de drogas e armas, homicídios ligados a organizações criminosas, extorsão, roubo de cargas, crimes cibernéticos, mineração ilegal e lavagem de dinheiro. O foco será chegar às lideranças e à capacidade financeira das organizações.
Monitoramento de rotas e territórios. A Muralha Digital de Minas Gerais integrará, de forma gradual e respeitando as exigências técnicas e legais, câmeras, leitura automática de placas, sensores, informações de inteligência e sistemas municipais já existentes. Serão priorizadas áreas críticas, corredores rodoviários e rotas utilizadas pelo crime organizado.
Controle do sistema prisional. As unidades prisionais precisam estar sob controle do Estado, e não das organizações criminosas. Vamos fortalecer a inteligência penitenciária e conectá-la às investigações para identificar ordens, comunicações clandestinas, corrupção e movimentações financeiras relacionadas ao sistema prisional. Também adotaremos medidas de educação, qualificação e reintegração para reduzir a reincidência.
Prevenção do recrutamento. Nos territórios de maior risco, segurança, educação, saúde e assistência social atuarão de forma coordenada para proteger crianças e jovens expostos à violência e ao aliciamento pelo crime. O Estado também manterá cooperação permanente com os municípios e suas Guardas Municipais.
Crime organizado precisa perder território, dinheiro e capacidade de operação. Essa política combina repressão qualificada, prevenção focalizada, tecnologia e presença efetiva do Estado, com estratégias adequadas às diferentes realidades de Minas Gerais.”
Júnia Garrido/Band Minas/Divulgação
Cleitinho Azevedo (Republicanos)
“O plano de governo de Cleitinho e Falcão estabelece o combate ao crime organizado como uma das prioridades da área de Segurança Pública. A proposta parte do fortalecimento da inteligência, do policiamento e da capacidade de investigação do Estado, com atenção especial à estrutura financeira das facções.
Entre as medidas previstas está a criação de um Comando de Inteligência, reunindo em uma plataforma tecnológica integrada as bases de dados da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Sistema Prisional. O objetivo é ampliar o compartilhamento de informações e tornar a atuação das forças de segurança mais integrada e eficiente.
O plano também prevê a ampliação do policiamento ostensivo e territorial, orientado por dados e concentrado nas regiões de maior incidência criminal, além do reforço da presença policial nas áreas rurais.
No enfrentamento direto às facções, a principal proposta é a descapitalização do crime organizado, com combate à lavagem de dinheiro e à interdição das rotas de tráfico no território mineiro. A estratégia busca atingir não apenas a atuação operacional das organizações criminosas, mas também sua estrutura financeira e logística.
O governo também pretende fortalecer a perícia técnica, investir em pessoal e tecnologia para acelerar as investigações criminais e recompor os efetivos das forças de segurança por meio de concursos públicos. No sistema prisional, a proposta é fortalecer a Polícia Penal, separar os custodiados de acordo com seus perfis e ampliar oportunidades de trabalho e estudo.
Além das medidas diretamente relacionadas à segurança, o plano prevê ações de prevenção, como o combate à evasão escolar, a qualificação profissional e programas de formação e primeiro emprego para jovens, especialmente nas periferias e no interior.
A proposta, portanto, combina inteligência, presença territorial, investigação, combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico, fortalecimento do sistema prisional e ações preventivas para enfrentar o crime organizado e reduzir sua capacidade de influência em Minas Gerais.”
Júnia Garrido/Band Minas/Divulgação
Flávio Roscoe (PL)
“Não podemos normalizar a criminalidade. Quem escolhe esse caminho precisa voltar a temer a polícia e a aplicação da lei e isso é uma prioridade do nosso governo.
Nossa proposta para combater não só as facções criminosas, como qualquer tipo de crime, começa por reforçar a estrutura e as condições de trabalho das polícias Civil e Militar.
A nossa polícia é a melhor do Brasil e precisa continuar tendo condições para isso, precisa de mais efetivo, precisa de uma remuneração à altura, são prioridades de suma importância e temos um compromisso com esta categoria.
A valorização dos nossos policiais é fundamental para que eles possam exercer sua autoridade com eficácia, o que inclui dar retaguarda jurídica para atuarem.
O crime organizado não respeita fronteiras e não se concentra nas grandes capitais, essa é a realidade. Defendemos o trabalho integrado e cooperação entre Minas Gerais e os estados com quem fazemos divisas, junto à cobrança da atuação do Governo Federal nesse enfrentamento.
Minas faz divisa com seis estados e o Distrito Federal ao longo de 4.727 quilômetros – visamos firmar acordos de cooperação e criar uma base de dados compartilhada com os estados vizinhos, com uma sala de situação permanente com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Receita Federal. Essa atuação integrada precisa ser reforçada com uso de tecnologia e de inteligência inclusive dentro da prisão, onde precisamos garantir que as facções sejam monitoradas e fiquem de fato isoladas e impedidas de se mobilizarem.
Patrulhamento com postos permanentes nos corredores de passagem interestadual, leitura automática de placas, videomonitoramento integrado e cruzamento de dados em tempo real permitirão que nossas forças se adiantem, atuando na prevenção e desarticulação das forças criminosas.
A aplicação correta dessa tecnologia não só contribui para o trabalho das polícias, mas ainda promove a racionalização do uso dos recursos públicos, o que se reverte em melhorias contínuas para as nossas tropas.
Seja na Região Metropolitana de Belo Horizonte, do Vale do Jequitinhonha ao Triângulo, do Norte de Minas à Zona da Mata, sair de casa e retornar em segurança é um direito de todos. Nossa prioridade é proteger quem trabalha e enfrentar quem optou pelo crime. Aqui, o recado é bem claro: criminalidade não tem vez.”
Júnia Garrido/Band Minas/Divulgação
Gabriel Azevedo (MDB)
“Não dá para o crime ser organizado e o Estado ser desorganizado. O enfrentamento às facções precisa começar pela integração real das forças de segurança e pela inteligência. Nossa proposta é criar um Centro Integrado de Inteligência Criminal para reunir Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e integrar, quando necessário, outras instituições estaduais e federais, como a Polícia Federal.
Facção não respeita limite de município nem de estado. A informação do poder público também não pode ficar presa dentro de uma instituição ou de uma fronteira administrativa.
Outra prioridade é atingir o dinheiro do crime. Prender quem está na ponta é necessário, contudo não desarticula uma organização criminosa. Precisamos fortalecer a investigação financeira, a inteligência e a perícia para chegar aos financiadores, lavagem de dinheiro, patrimônio e redes de receptação.
O resultado da política de segurança também precisa ser medido pelo patrimônio recuperado, pelos recursos bloqueados e pelas organizações efetivamente desarticuladas.
Também precisamos recuperar o controle do sistema prisional. Presídio não pode funcionar como escritório de facção. Vamos investir em biometria, bloqueadores modernos de celular, equipamentos de inspeção e inteligência prisional, além de integrar a Polícia Penal às demais forças. Precisamos enfrentar a superlotação e separar adequadamente os diferentes perfis de presos. Também defendo ampliar as APACs nos casos adequados, permitindo que o sistema prisional convencional concentre seus recursos em quem representa maior risco para a sociedade.
Minas Gerais também precisa impedir que uma facção se consolide no território para somente depois reagir. Teremos diagnóstico regional permanente das rotas do crime, atenção especial aos corredores rodoviários e cooperação com a União e com os estados vizinhos.
Operação policial não pode terminar quando a viatura vai embora. Onde o crime tenta dominar o território, o Estado precisa permanecer com educação, iluminação, serviços públicos, trabalho e urbanização.
Esse compromisso não surgiu agora. Já publiquei cartas abertas com compromissos específicos para a Polícia Civil e para a família militar de Minas Gerais, construídas a partir do diálogo com quem conhece a segurança pública por dentro.
Nesta semana, apresentaremos também uma carta específica para a Polícia Penal, tratando das condições necessárias para que o Estado recupere plenamente o controle do sistema prisional. Quero construir a política de segurança ouvindo quem está na ponta e assumindo compromissos públicos que possam ser cobrados durante o governo.
O princípio é simples: conhecer o movimento do crime antes, agir de forma integrada durante e permanecer no território depois. Crime organizado se combate com Estado organizado, inteligência, investigação e presença territorial.”
Júnia Garrido/Band Minas/Divulgação
Mateus Simões (PSD)
“O Brasil atravessa uma transformação profunda no perfil da criminalidade. Esse fenômeno não é exclusivo de nenhum estado ou região: é uma mudança estrutural que atinge todo o país e exige respostas igualmente estruturais.
O crime organizado deixou de ser apenas uma ameaça local para se tornar a maior prioridade da segurança pública brasileira contemporânea. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, estima-se que, a partir de 2022, o crime organizado passou a movimentar aproximadamente R$ 146,8 bilhões por ano no Brasil, considerando apenas produtos como ouro, combustível, tabaco e bebidas, sem incluir o tráfico de drogas e os crimes digitais.
As organizações criminosas evoluíram para estruturas transnacionais que atuam em três camadas complementares. Na governança territorial, disputam o controle de comunidades e aglomerados, substituindo serviços do Estado por serviços clandestinos e impondo regras paralelas à população.
No crime organizado empresarial, infiltram mercados legítimos, lavam dinheiro e interferem na concorrência por meio de empresas de transporte, supermercados, fintechs e fundos de investimento.
Na infiltração institucional, financiam campanhas eleitorais, criam empresas de fachada para burlar licitações e tentam corromper o sistema de Justiça.
Operações integradas e combate às facções
Entre 2020 e 2025, foram realizadas 214 operações integradas coordenadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), resultando na apreensão de 21 toneladas de drogas, mais de 18 mil pessoas presas ou conduzidas, quase 2 mil armas de fogo apreendidas e 59 mil vítimas atendidas.
Em junho de 2026, o governador Mateus Simões liderou a maior operação policial de combate às facções criminosas da história de Minas Gerais: a Operação Cerco Fechado. Com cerca de 3.000 agentes mobilizados simultaneamente, a operação ocupou 26 territórios estratégicos do crime organizado em seis cidades, cumpriu 73 mandados judiciais, prendeu 38 pessoas e realizou buscas em dez unidades prisionais, com apreensão de celulares e drogas. Os alvos foram integrantes do Comando Vermelho, do Primeiro Comando da Capital e do Terceiro Comando Puro.
Minas Mais Segura: tolerância zero com o crime organizado
O plano Minas Mais Segura estabelece tolerância zero para a criminalidade organizada, atuando sobre as três camadas em que as facções operam em Minas Gerais:
Governança territorial: controle permanente dos territórios ocupados por facções por meio da presença das forças de segurança e da provisão de serviços públicos. O combate ao tráfico de drogas como principal financiador dessas redes é prioridade operacional, com foco nas áreas de maior concentração de atividade criminal na RMBH e nas cidades do interior.
Crime organizado empresarial: investimento em inteligência financeira e investigação especializada para rastrear fluxos de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e infiltração de organizações criminosas em mercados legítimos. Atuação integrada da Polícia Civil com o Ministério Público e a Polícia Federal, com programa específico e continuado de investigação e recuperação de ativos.
Infiltração institucional: vigilância permanente sobre tentativas de corrupção do sistema de justiça, financiamento ilícito de campanhas e infiltração de membros de facções em concursos públicos. Minas Gerais não tolerará que o crime tente ocupar o Estado por dentro.”
Edésio Ferreira/EM/D.A Press
Patrus Ananias (PT)
“O plano de governo de Patrus Ananias prevê uma nova forma de atuação do Estado no que diz respeito à segurança pública em Minas Gerais. Entre as propostas está a instituição e consolidação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) no Estado, com uma atuação integrada, planejamento conjunto e compartilhamento de informações entre os diversos órgãos ligados ao setor.
Observa-se nesse cenário a expansão do crime organizado e das facções criminosas, especialmente nos territórios mais vulnerabilizados. Dessa forma, o plano de governo prevê a ampliação do uso da inteligência e da investigação integrada, fortalecendo a atuação das instituições estaduais de segurança pública.
Outra vertente é o fortalecimento e ampliação das ações de desmantelamento das bases econômico-financeiras dessas organizações criminosas, atuando para interromper o lucro financeiro que sustenta o crime organizado. Vale ressaltar que as políticas deverão ser integradas com as ações do governo federal, que recentemente lançou o programa “Brasil contra o crime organizado”, que prevê ações que visam à asfixia financeira do crime organizado; investimentos no sistema prisional; aumento das taxas de esclarecimentos de homicídios; e enfrentamento ao tráfico de armas.
Para além da segurança pública, a administração Patrus entende a violência como uma questão social e pretende investir em educação, emprego, cultura, esporte e lazer, possibilitando que os jovens tenham oportunidades e socialização, afastando-os da entrada no universo da criminalidade.”