O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (9/6) que as definições eleitorais em Minas Gerais não podem ser tomadas de forma isolada e devem considerar a estratégia nacional do partido, especialmente a construção da aliança que sustentará a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

Segundo Edinho, embora o PT mineiro tenha aprovado uma resolução, “balizadora do debate”, em que defende um nome do partido para a disputa pelo governo do estado, e os diretórios estaduais tenham autonomia para debater seus caminhos, o cenário nacional precisa ser o eixo central das decisões.

“O PT de Minas aprovou uma resolução de que seria uma candidatura própria. É correto, o partido tem que defender suas lideranças. Mas nós temos dialogado com os partidos aliados também. Temos que pensar que as alianças são constituídas nos estados, mas também temos a aliança nacional”, afirmou durante seminário da legenda sobre a reforma do Judiciário, realizado em Brasília.  Ao ser questionado sobre quem seria o nome petista "mais viável" em Minas, Edinho respondeu apenas que "não tem um nome mais viável”. 

 

Ele reforçou que a prioridade da legenda é a manutenção do projeto nacional liderado por Lula. “Nós temos que entender que a prioridade é a reeleição do presidente Lula e, a partir dessa prioridade, nós vamos construir as alianças nos estados”, declarou.

O dirigente também destacou que as decisões em Minas Gerais serão fruto de diálogo entre diferentes instâncias partidárias e aliados. “As posições nos estados sempre são debatidas não só com os nossos líderes, mas também com as lideranças dos partidos aliados e com as instâncias partidárias. Nós queremos dar celeridade a esse processo”, disse.

A fala de Edinho ocorre em um momento de reconfiguração do cenário político mineiro após a desistência oficial do senador Rodrigo Pacheco (PSB) de disputar o governo estadual em 2026. Considerado até então o nome preferido de Lula para a disputa, Pacheco anunciou na semana passada que não concorrerá a cargos eletivos e que encerrará sua trajetória política ao fim do atual mandato.

O recuo abriu espaço para o partido em Minas acelerar o debate interno sobre candidatura própria. Em 30 de maio, logo após a desistência do senador, o diretório estadual aprovou, durante encontro estadual, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma resolução que orienta a construção de um nome do próprio partido para o governo.

No documento, a sigla reconhece o impacto da saída de Pacheco e defende a necessidade de protagonismo no segundo maior colégio eleitoral do país e diz ser “inadmissível que, em pleno maio de 2026” a legenda ainda esteja esperando “por nomes externos ao partido” para a disputa pelo governo do estado. 

A resolução ressalta a necessidade de “preservar o diálogo com os partidos do campo progressista” e defende que o nome petista seja construído “em unidade com os partidos da Federação”, mantendo interlocução permanente com aliados.

Entre os nomes cotados pela legenda, estão o deputado federal Reginaldo Lopes, autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, e também o da ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart. O partido também chegou a cogitar o lançamento da candidatura da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), mas ela já disse que não tem interesse em disputar o governo e, sim, o Senado. Além disso, a ex-prefeita tem defendido aliança e não candidatura própria. 

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O partido também discute possíveis alianças com o PDT, que tem como pré-candidato o ex-prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil, e o MDB, cujo candidato é o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, mas ainda não há nenhuma definição. O nome de Gabriel já foi defendido publicamente por Marília.  

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