A relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), é um exemplo das principais transformações políticas ocorridas durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022).
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No início do mandato presidencial, a família Bolsonaro e seus aliados mantinham uma postura de forte oposição ao Centrão, grupo político do qual Ciro Nogueira é um dos principais líderes. Ao longo dos anos, a postura dos parlamentares começou a mudar.
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A virada estratégica: a aproximação com o Centrão
Com o avanço do governo Bolsonaro e a necessidade de construir uma base de apoio sólida no Congresso Nacional, a aproximação com o Centrão tornou-se uma necessidade para garantir a aprovação de pautas importantes e barrar processos de impeachment. Ciro Nogueira, como presidente do Progressistas, foi uma peça central nessa nova articulação.
A conduta do parlamentar também mudou. Nogueira havia defendido os dois primeiros governos petistas e foi um apoiador do ex-presidente Michel Temer (MDB). No entanto, o senador aproximou-se de Jair Bolsonaro em meados de 2020, ao perceber a transformação política no quadro brasileiro.
Aliança consolidada?
A virada no discurso se consolidou em agosto de 2021, quando Ciro Nogueira foi nomeado por Jair Bolsonaro a ministro da Casa Civil, o cargo mais estratégico da Esplanada. A partir de então, as críticas de Flávio Bolsonaro deram lugar a elogios públicos.
A nomeação selou a união e marcou o fim de qualquer resquício do discurso anti-Centrão do início do governo.
Mesmo com a associação, a existência de rumores que apontavam conflitos permaneceu. Em setembro de 2025, Flávio se posicionou a respeito de matérias jornalísticas que divulgaram um suposto atrito entre ele e o senador:
“Acabei de falar com meu amigo Ciro Nogueira, que passa bem após a minha ‘voadora’ nele! Rs. Converso com ele frequentemente e nunca dei ‘chega pra lá’ em ‘conversa duríssima’. Esses pseudo-fontes acabam com a credibilidade da imprensa.”, declarou nas redes sociais.
“No que depender de mim, o campo da centro direita subirá junto a rampa em 2027, com Bolsonaro eleito presidente da República”, concluiu Flávio Bolsonaro.
Reforçando a aliança, meses depois, em dezembro, Ciro Nogueira afirmou que considera legítima a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência da República, por possuir uma postura mais centrista no Congresso.
“Flávio é um Bolsonaro que se vacinou, o que por si só já é um fator muito importante”, afirmou Nogueira.
O legado da aliança
A aliança política entre Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira permaneceu, com ambos atuando como figuras relevantes na oposição. Em uma declaração recente, o filho de Bolsonaro afirmou que Nogueira seria o seu “vice ideal”.
“Em relação à vice, que eu saiba que está ali, que já levantou o dedo e eu acho que tem todas as credenciais para ser, é o Ciro. Mas essa é uma decisão que se toma muito mais na frente. Aí depende da composição partidária, depende do perfil que a gente está buscando. O perfil do Ciro é um bom perfil”, declarou em uma entrevista.
A trajetória da relação entre os dois senadores ilustra o pragmatismo e as reconfigurações de poder que ainda marcam a política brasileira.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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*Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria
