O Rodoanel Metropolitano foi motivo de discordância entre pré-candidatos ao governo de Minas Gerais que participaram, nesta terça-feira (5/5), de um painel realizado pela Associação Mineira dos Municípios (AMM), durante um encontro da entidade que reuniu prefeitos de todo o estado no centro de exposições Expominas, no Bairro Gameleira, Região Oeste de Belo Horizonte.
Presente ao evento, o ex-prefeito da capital Alexandre Kalil, pré-candidato pelo PDT, disse que, se eleito governador, vai cancelar o projeto e destinar os recursos previstos da obra, cerca de R$ 3 bilhões, para recuperação emergencial das estradas mineiras.
“Caso eleito governador de Minas, o Rodoanel, que tenta aleijar Betim, Contagem e Belo Horizonte, está cancelado. Todo o dinheiro do Rodoanel será colocado num programa de manutenção emergencial para Minas Gerais”, anunciou Kalil, primeiro a falar pela ordem do sorteio feito pela entidade, para a plateia de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
Segundo ele, já existem disponíveis no caixa do estado R$ 3 bilhões do acordo da Vale referente ao rompimento da barragem de Brumadinho, na Grande BH, para a obra do Rodoanel, que serão redirecionados para estradas do interior do estado, se ele vencer a eleição.
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Crítica
Logo após a fala de Kalil, que reiterou em entrevista que é candidato ao governo, rechaçando boatos de que teria interesse em uma cadeira no Senado, foi a vez do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB).
Também pré-candidato ao governo de Minas, Azevedo rebateu a declaração de Kalil e classificou como “rasgar dinheiro público” a suspensão do projeto que consiste em criar um novo contorno viário para retirar o fluxo de caminhões da capital e da região metropolitana, desafogando o trânsito do Anel Rodoviário.
“Me desculpem a franqueza, mas ouvir aqui, como cidadão de Belo Horizonte e de região metropolitana, que um pré-candidato vai acabar com o projeto do Anel Rodoviário é assistir alguém aqui no palco pegando sacos de dinheiro público e rasgando diante de vocês. E fala-se isso com uma naturalidade boçal, de quem usa a desculpa de que falar simples é falar do jeito que todo mundo entende”, criticou.
Conforme Azevedo, o projeto para a construção do Rodoanel tem por objetivo, além da questão do trânsito, desafogar o Anel Rodoviário, reduzindo o número de acidentes e mortes no trecho de 27 quilômetros que cruza Belo Horizonte, conectando as saídas da capital e da região metropolitana para os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Brasília e São Paulo.
Adiamento
As obras do Rodoanel Metropolitano vêm sendo adiadas desde 2024 devido a problemas, especialmente com as prefeituras de Contagem e Betim, cidades da Grande BH, que questionam o traçado da estrada, e também devido às comunidades tradicionais das áreas que precisarão ser desapropriadas para a construção da nova alça rodoviária, que terá 70 quilômetros de estrada passando por oito cidades da região metropolitana.
“Nós não podemos rasgar o dinheiro público que foi utilizado no projeto, na negociação, em tudo que está preparado para fazer isso acontecer. Meu compromisso é sentar com a Prefeitura de Contagem, seja de que partido for, seja quem for, e discutir com todos os envolvidos para fazer a obra acontecer. Não é nem esse governo que prometeu e não entregou, e nem quem quer chegar para destruir o que estava planejado”, rebateu Azevedo.
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Ausências
O governador Mateus Simões (PSD) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), também pré-candidatos ao governo de Minas, foram convidados, mas alegaram outros compromissos e não compareceram. Simões participou somente da abertura do encontro da AMM, que ocorreu pela manhã. E Cleitinho cancelou, em cima da hora, a sua participação no painel, que consistia em responder a três perguntas feitas pelo presidente da AMM e prefeito de Iguatama, no Centro-Oeste mineiro, Lucas Vieira (Avante), e depois fazer considerações sobre suas propostas para o estado.
