Ex-ministra do Planejamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB) afirmou que o enviado especial de assuntos globais do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, Paolo Zampolli, deve fazer um pedido de desculpas público. Isto porque Zampolli chamou as brasileiras de “putas” e “raça maldita” em uma conversa com a imprensa.
Na última semana, em uma entrevista à rede italiana RAI, Zampolli declarou, além dos xingamentos citados, que mulheres brasileiras “são programadas para gerar confusão”. A fala se fez ao comentar sobre a ex-mulher, a ex-modelo brasileira Amanda Ungaro, com quem foi casado por quase duas décadas. Após o término, Amanda acusou o ex de violência doméstica, abuso sexual, e disse que as agressões motivaram o divórcio.
Leia Mais
A brasileira foi deportada dos EUA em outubro de 2025. Segundo o jornal estadunidense The New York Times, a operação se fez depois que o conselheiro descobriu que a mulher havia sido presa pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega, em português) por acusações de fraude. Assim que soube, entrou em contato com o Serviço alegando que ela estava no país de forma irregular. Ele, porém, nega que tenha relação com a deportação.
Em vídeo publicado no X, antigo Twitter, nesse sábado (25/4), Tebet se manifestou indignada com a fala “mais do que preconceituosa, criminosa de um servidor do alto escalão do governo americano”.
Para ela, a fala ofende não apenas as mulheres, mas toda uma nação que reconhece e valoriza as mulheres. “Esse senhor tem que vir a público, fazer um pedido público de desculpas ao Brasil e às mulheres brasileiras”, afirmou.
- Aprovação de lei faz buscas pelo significado de 'misoginia' dispararem
- Base critica Flávio Bolsonaro por apoiar pena maior por misoginia
A pré-candidata ao Senado ainda disse que “já viu de tudo” no que se refere “a preconceito e ataques baixos”, levando em consideração toda sua trajetória na política, mas que um ataque como esse vindo de uma autoridade não é aceitável.
“As brasileiras são mulheres valorosas, guerreiras e que carregam este país nas costas com uma dignidade que esse senhor desconhece. Minha voz hoje se une à de tantas outras: exigimos respeito. Nenhuma fala estrangeira vai diminuir a nossa grandeza”, escreveu na rede social.
Reações
A primeira-dama Janja da Silva rebateu a fala do assessor e disse que “é impossível não se indignar”. “Dizer que somos 'uma raça maldita' e 'programadas para causar confusão' não nos diminui. Sabemos muito bem quem somos e temos muito orgulho de quem nos tornamos diariamente", escreveu a primeira-dama.
A fala de Zampolli também foi rebatida por outra autoridade: a ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná, Gleisi Hoffmann (PT). Nas redes sociais, Gleisi chamou o conselheiro de "misógino arrogante da extrema direita" e disse que ele não é bem-vindo no Brasil.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Já em nota oficial, o Ministério das Mulheres afirmou que “a misoginia não constitui opinião” e definiu a declaração como “manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa”. “Nesse sentido, o ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão”, diz trecho do comunicado.
