Às vésperas do fechamento da janela partidária, os partidos correm contra o tempo para fazer suas alianças políticas e definir os candidatos ao pleito deste ano. O prazo para a mudança de partido ou filiação para quem pretende disputar as eleições deste ano, marcadas para 4 de outubro, termina amanhã à meia-noite, data que corresponde a seis meses antes do pleito. Ontem, o senador Rodrigo Pacheco oficializou sua saída do PSD e se filiou ao PSB. No evento em Brasília que marcou a chegada à nova legenda, Pacheco não disse se será candidato ao governo do estado. O senador é cotado como o nome da centro-esquerda para o Palácio da Liberdade, é o preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa, mas segue fazendo mistério sobre seu destino.

Sobre o ingresso no PSB, Pacheco afirmou: "Eu destaco algo que pra mim foi a motivação desta filiação. Primeiro que é um partido que tem história, uma história muito longa, de oito decadas. O PSB, desde a sua inauguração, concebeu uma ideia de combater o autoritarismo".

Quem também mudou de partido ontem foi o senador Carlos Viana, que deixou o Podemos para ir para o PSD. Viana pretende disputar a reeleição para o Senado, onde chegou, em 2019, para exercer seu primeiro mandato na Câmara Alta. Com a mudança de legenda, Viana disputará o Senado na chapa do governador Mateus Simões (PSD), que concorrerá à reeleição, após assumir o comando do estado com a renúncia de Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo em março para disputar a Presidência da República.

Em BH, um ato político com a presença de Gilberto Kassab marcou a filiação de Carlos Viana ao PSD

Marcos Vieira/em/d.a press

“Quero agradecer ao governador Mateus Simões, entendemos que nossas convergências são muito maiores que as divergências. O senhor terá em mim um fiel escudeiro em Brasília para defender Minas Gerais. Hoje começamos a dar os primeiros passos juntos de uma caminhada que tenho certeza que vai gerar muitos frutos para o estado de Minas", afirmou o senador.

A ida de Viana para o PSD mexe no tabuleiro da disputa pelo Senado, casa alvo da atenção de vários partidos em função de suas atribuições estabelecidas pela Constituição Federal, entre elas a responsabilidade pelos pedidos de abertura de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A primeira vaga para o Senado na chapa de Simões já está reservada para o ex-secretário de Governo, Marcelo Aro, do Podemos, que desincompatibilizou esta semana para concorrer ao Senado. A segunda vaga vinha sendo negociada por Simões com o PL, em caso de aliança com a legenda, mas agora será reservada a Viana, inviabilizando uma composição das duas legendas. Com isso, a direita deve ter três candidaturas, já que o PL deve lançar o nome do deputado federal Domigos Sávio, presidente da legenda no estado, para o Senado.

Outro que ingressou em uma legenda, também de olho em um cargo eletivo, é o empresário Flávio Roscoe. Ele se licenciou esta semana da presidência da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), conforme determina a legislação eleitoral. Roscoe se filiou ao PL para disputar, preferencialmente, segundo ele, o cargo de governador ou vice-governador pelo partido, dono hoje da maior bancada no Congresso Nacional. “Eu estou aberto, inclusive, a não ser candidato para nada. Apenas contribuir com ideias, sugestões, propostas, como já faço aqui. Ou eventualmente ser candidato, ou eventualmente fazer parte de uma chapa”, disse.

Nesta semana também, as deputadas Duda Salabert e Bella Gonçalves também trocaram de partido. Duda deixou o PDT e voltou para o Psol, partido onde começou, em 2019, sua militância política. Ela vai disputar a reeleição para uma cadeira na Câmara dos Deputados. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) desde 2022, quando foi eleita pela primeira vez para o parlamento mineiro, Bella Gonçalves deixa o PSOL e se filia ao PT para concorrer a uma vaga de deputada federal.

Nessa troca de legendas, o PL foi até agora a legenda que mais ganhou parlamentares em Minas Gerais. Para lá já migraram as deputadas federais Delegada Ione e Greyce Elias, que deixaram o Avante. O deputado federal Doutor Frederico deixou o PRD e também foi para o PL, que passa a contar agora com 13 parlamentares federais mineiros. Na ALMG, a legenda também ganhou mais uma cadeira. A deputada estadual Chiara Biondini saiu do PP e se filiou ao PL para tentar a reeleição.

O PT, segunda maior bancada na Câmara e na ALMG, além de Bella Gonçalves, ganhou também a deputada estadual Ana Paula Siqueira. A parlamentar deixou a Rede para se filiar ao PT. Ela também vai disputar mais um mandato na Assembleia. Na Câmara dos Deputados, a bancada petista mineira não sofreu alterações. O nome do deputado federal André Janones chegou a ser cotado para a legenda, mas ele acabou deixando o Avante para se filiar à Rede.

Além de Viana, o PSD ganhou mais dois parlamentares. Na ALMG, Bosco trocou o Cidadania pelo PSD, mesmo destino do deputado estadual Raul Belém, que saiu do Cidadania. E na Câmara dos Deputados, Wellington Prado deixou o Solidariedade para se filiar ao PSD.

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O Republicanos, que tem como pré-candidato o senador Cleitinho Azevedo, também ganhou novos filiados. Um deles, o deputado federal Bruno Farias, que deixou o Avante. Quem também seguiu para o partido de Cleitinho foi o prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Luiz Eduardo Falcão. A legenda pode receber ainda os irmãos de Cleitinho, o deputado estadual Eduardo Azevedo, hoje no PL, e o ex-prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo). Os dois aguardam uma definição sobre os rumos da campanha no estado para baterem o martelo sobre seus destinos. O Republicanos tem defendido apoio do PL e do Novo ao nome de Cleitinho, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Mas o caminho das duas legendas ainda está em aberto.

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