Após o primeiro ano de gestão, o prefeito de São João del-Rei, Aurélio Suenes (PL), vê com bons olhos o futuro da cidade localizada no Campo das Vertentes. Convidado desta edição do EM Minas, programa do Estado de Minas, “Portal Uai” e “TV Alterosa”, ele destacou os investimentos em turismo e obras de infraestrutura. “Começamos a investir nos eventos que atraem as pessoas e chamam atenção. Resgatamos a história do São João dos Queijos no ano passado”, disse o prefeito. Ele destacou, principalmente a criação de um anel rodoviário para o município, em conversa com a jornalista Carol Saraiva.
O que falta para São João del-Rei entrar definitivamente na rota do turismo nacional?
Nós estamos trilhando esse caminho. Iniciamos um trabalho forte em 2025, primeiro ano do nosso governo, procurando evidenciar realmente as potencialidades de São João del-Rei. A cultura de São João del-Rei, que é muito forte. A história política de São João del-Rei, com grandes figuras: Tiradentes, Tancredo Neves e tantos outros.
Começamos a investir nos eventos que atraem as pessoas e chamam atenção. Resgatamos a história do São João dos Queijos no ano passado, foi um sucesso tremendo. Nós alcançamos um público muito grande, com apresentações musicais de nível nacional, mas buscando mostrar essa tradição que existia em São João del-Rei, que chegou a ser conhecida como São João dos Queijos no passado. Temos uma Secretaria de Cultura e Turismo muito atuante, com o secretário Caio [Andrade] e toda a sua equipe. E esse trabalho está começando a gerar resultados. A gente vê isso nos números do município, o resultado que temos no movimento do comércio. Inclusive na arrecadação do nosso ISS, que é o imposto de serviço, e subiu aproximadamente 13%.
Enfim, já tomamos esse caminho de mostrar São João del-Rei para Minas, para o Brasil e para o mundo. O quanto é bela, quanta riqueza nós temos, cultural e patrimonial. Nós temos um patrimônio bem preservado. As nossas igrejas são muito conhecidas, inclusive. A Igreja de São Francisco, por exemplo. Elas estão passando por restaurações em função do Novo PAC, do governo federal. Importante a gente fazer isso, porque é uma beleza indescritível. As pessoas têm que ir lá para conhecer a história de cada uma das igrejas, os casarões, as ruas…
Nós completamos 312 anos. Tem muita coisa para contar. O ciclo do ouro, passa tudo ali por São João del-Rei. Por um pequeno período, fomos a primeira capital de Minas Gerais. São João del-Rei realmente é encantadora e nós precisamos fazer o nosso trabalho enquanto poder público para evidenciar isso que está adormecido. E pode gerar muita oportunidade para o nosso povo.
Teve o Festival do Queijo, o tapete de serragem, famoso e tradicional. E também o Natal Barroco no último ano. Como foi?
Fizemos um investimento inédito em 2025: uma iluminação de Natal que realmente chamou atenção. Esse é só o começo de um trabalho para colocar São João del-Rei na vitrine. Quando falamos das festividades, não posso deixar de falar do quanto a religiosidade é forte em São João del-Rei. Principalmente a religião católica, que tem muitas tradições. A nossa Semana Santa foi conhecida como a melhor Semana Santa do Brasil. Atrai turistas de todos os lados. E estamos fazendo cada vez mais investimentos para poder evidenciar isso. No Natal, foi surpreendente quantas pessoas foram para São João del-Rei. A gente viu o movimento durante a semana. As ruas cheias de pessoas visitando os casarões. Ficou muito bonito, tudo iluminado.
E a ocupação dos hotéis é altíssima em algumas temporadas. Às vezes as pessoas se hospedam em São João del-Rei para visitar Tiradentes. Isso acontece?
Sim. Hoje nós temos uma rede hoteleira com números bem diferentes do que tinha no ano anterior. Isso em função de toda essa movimentação. Temos a gastronomia que é um forte de São João del-Rei. Mas é aquilo que a gente fala: se o poder público não demonstra para qual direção quer seguir, acabamos tendo a iniciativa privada um pouco acanhada. A iniciativa privada já está começando a fazer a leitura de que o município quer realmente desenvolver o turismo. E, para isso, precisa ter essa estrutura para atender o turista.
A intenção da prefeitura é essa, então? Atrair o investidor para que o turismo cresça junto?
Acaba sendo um processo um pouco natural. Quando você faz os movimentos para levar o turista para o município, automaticamente é preciso que tenha essa estrutura para atendimento. E a iniciativa privada faz essa leitura e começa a fazer os investimentos. Então nós esperamos poder nos firmar nesse caminho.
Economicamente, a cidade tem feito alguns programas, inclusive para incentivar que as pessoas estejam em dia com os tributos. Como é isso?
Nós fizemos uma ação ousada em São João del-Rei: implantamos a tarifa zero no transporte público. É um programa realmente ousado porque é custeado 100% com recursos da prefeitura. As pessoas deixam de pagar a passagem do transporte público, que já estava em decadência na cidade, e isso acaba sendo um benefício para a população. Na medida em que o poder público estende a mão para a população com um benefício forte como esse, precisamos também receber os impostos. Curiosamente, na cultura que se instalou em São João del-Rei ao longo dos anos, as pessoas perderam um pouco a referência e a cultura de pagar os seus impostos, as suas obrigações. Então, hoje nós temos acumulados algo em torno de R$ 350 milhões para receber, entre IPTU, alvará de funcionamento e autarquia de água e esgoto.
É importante as pessoas refletirem sobre isso. Viemos com um propósito de fazer uma administração séria, que vai gerar resultado para a população. Então é uma via de mão dupla. Nós precisamos receber. Aí criamos um programa: “Quem Anda em Dia, Del Rei Premia”. Estamos sorteando vários prêmios. Máquina de lavar, televisão, e tem o grande prêmio que é um carro zero. Justamente para chamar atenção daquela pessoa que recebe a guia de IPTU, guarda e não paga. Ela fala assim: "Poxa, mas quem sabe vale a pena realmente pagar, acreditar nesse governo que está trazendo mais turismo para a cidade, que já colocou tarifa zero, que está mantendo a cidade organizada, para a gente poder melhorar isso cada vez mais”.
E como anda o agronegócio em São João del-Rei, que é forte em grãos?
São João del-Rei tem um território muito extenso, mais de 1.500 km². É terra demais. Com isso, a gente está desenvolvendo cada vez mais a produção de grãos. É forte no milho, no feijão, na soja, no café… Já tem um fragmento de São João del-Rei crescendo com o café. Tem também a pecuária leiteira, a pecuária de corte. Então, o agronegócio hoje é um dos carros chefes de São João del-Rei no que diz respeito à economia. Hoje, somos o município que mais produz grãos em todo o Campo das Vertentes. Isso está crescendo. E temos um programa para contratar a agricultura familiar para a merenda das escolas, fomentando os pequenos produtores.
Sobre saúde, há uma preocupação de São João del-Rei em também atender à população local para que não tenham que buscar atendimento em outras cidades ou na capital, não é?
São João del-Rei é referência do SUS. Nós somos um “micropolo” da saúde regional. É desafiador quando falamos de saúde pública. A gente identificou na campanha uma fragilidade muito grande da saúde pública de São João del-Rei. Inclusive, verificado em números. Nosso desafio está sendo fazer os investimentos que precisam ser feitos para a gente corrigir isso. Investimento e organização. Colocamos uma secretária gestora que tem muita experiência, foi secretária em cidade maior que São João del-Rei, foi superintendente de saúde... Então começamos a fazer essa reorganização. Ampliamos a atenção básica, que é hoje a estratégia de saúde da família, com mais equipes de saúde. Melhoramos o atendimento da UPA, isso é notável. Passamos a fazer parte do Consórcio Regional de Saúde. Então hoje temos atendimento de procedimentos, consultas especializadas, pequenas cirurgias sendo feitas pelo Consórcio. Já foram mais de 5 mil atendimentos nesse primeiro ano. As coisas estão começando a se organizar. Temos a obrigação de ser uma saúde de referência para nossa região.
Recentemente, deixamos o prédio anterior da Policlínica e fomos para um prédio moderno, mais bem localizado. Já fizemos a entrega de uma nova unidade básica de saúde (UBS), que é uma estratégia de saúde da família. E vamos fazer a reforma de todos os postos de saúde de São João del-Rei. Isso passa pela estruturação do ambiente para oferecer um atendimento mais humanizado, melhor e também um ambiente de trabalho melhor para quem está ali no dia a dia.
E as obras de infraestrutura na cidade, tem algum andamento? O que tem acontecido?
Nós temos um grande sonho para São João del-Rei, uma obra muito ousada, que é o desvio rodoviário. A gente precisa fazer um anel rodoviário em São João del-Rei. São três rodovias que chegam à cidade: BR-265, BR-383 e BR-494. Todas as carretas que passam nessas rodovias têm que passar por dentro de São João del-Rei. Não existe uma rodovia por fora. Esse é o desvio que a gente fala. É uma obra ousada, deve ultrapassar a casa de R$ 100 milhões, e nós já estamos buscando recurso para isso. Esse é o grande sonho que nós temos para esses 4 anos de governo. Também estamos fazendo outras obras de asfaltamento, reformas de praças… Temos um potencial turístico muito grande, que é o Cristo de São João del-Rei. Não é tão evidenciado porque está praticamente abandonado. Queremos resgatar, é um mirante muito bonito para a vista do centro histórico de São João del-Rei. Vamos fazer esse trabalho de investir em todas as áreas: educação, saúde, assistência social, obras de infraestrutura, turismo e cultura. É tudo muito importante para o desenvolvimento do município.
Ali no centro histórico tem o Córrego do Lenheiro, que não se vê em qualquer lugar, né?
É muito bonito, realmente. Passando pelo centro histórico, a gente tem a chamada ponte da cadeia, onde tem o prédio da prefeitura, muito imponente, representa muito a característica histórica de São João del-Rei O grande ponto negativo que nós temos alí é a questão da infraestrutura do município, que foi deixada de lado por um tempo. E ali ainda corre esgoto a céu aberto nesse riacho. É até uma coisa meio chata de falar, a gente não pode ficar divulgando isso não, mas estamos trabalhando para isso. É bom que a gente já apresenta a solução. Hoje temos inclusive uma equipe nossa em Juiz de Fora, na Caixa Econômica Federal. Estamos com R$ 33 milhões para investir no esgoto de São João del-Rei para resolver o problema da infraestrutura. São desafios que nós temos pela frente, mas estamos conseguindo enxergar uma luz no fim do túnel, a solução a caminho. Já passou da hora de resolver essas questões que são básicas. É muito importante que a gente vai investir firme para resolver esse passivo que nós temos hoje.
A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), atrai, claro, estudantes, mas já é suficiente para atrair também investimento para a cidade?
A universidade tem sim um papel muito importante. Hoje ela atende mais de 6 mil alunos que são de outras cidades. São pessoas que vêm para São João del-Rei e acabam movimentando a economia. São três campos da UFSJ e temos também uma universidade particular da Afya Uniptan, que também é muito forte. É realmente muito importante para São João del-Rei e agita: acaba, de alguma forma, movimentando a nossa economia.
O senhor é de Resende Costa, mas recebeu o título de cidadão honorário de São João del-Rei, certo?
Exatamente. Eu tenho uma história muito grande com São João del-Rei. Sou natural de Resende Costa, onde nasci e fui criado. Mas sou servidor de carreira da Copasa e fiquei 10 anos trabalhando em São João del-Rei. Fiz faculdade e construí minha empresa, quando passei a ter uma relação muito próxima com São João del-Rei. Então fico muito feliz com o título que eu recebi, cidadão honorário. Agora não sou mais forasteiro. Minha família toda já está bem constituída na cidade.
Como cidadão honorário, prefeito e gestor de São João del-Rei, o que o senhor me diz sobre a cidade? Ela une passado com crescimento e é um lugar com qualidade de vida?
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Minha esposa mesmo já está falando que não muda de lá mais. Então é um bom sinal, né? Eu acho que São João del-Rei é um lugar muito bom de se morar, uma cidade segura. Temos trabalhado muito em relação à segurança pública. Hoje é um tema que está em alta no Brasil, e São João del-Rei ainda pode ser considerada uma cidade segura. Uma cidade de quase 100 mil habitantes, e as pessoas ainda transitam pelas ruas livremente. Ainda tem gente que deixa carro aberto, casa aberta. Isso é algo muito positivo. Então, para as pessoas que se interessarem em não somente conhecer São João del-Rei, mas quiserem morar em São João del-Rei, está feito o convite. São bem-vindos para conhecer um pouco da nossa história, do nosso conforto. Tenho certeza que não vão se arrepender.
