Teoria crítica e pós-história: diálogos possíveis entre Theodor Adorno e Vilém Flusser 

Rodrigo Duarte 
O filósofo mineiro passou seis anos escrevendo este livro a partir de uma pergunta: como teria sido a conversa entre Adorno e Flusser, que de fato se encontraram em Frankfurt em 1966, mas cujo teor nunca veio a público? Em vez de ficcionalizar, Duarte optou por uma abordagem teórica, organizada em sete capítulos: Auschwitz, Autenticidade, Comunicação, Cultura, Educação, Kafka e Música. Judeus fugidos do nazismo, os dois filósofos tomaram rumos distintos. Adorno foi para os EUA e Flusser veio para um exílio de 30 anos no Brasil. Ambos convergem, segundo o autor, na dimensão política: o capítulo Auschwitz é lido como advertência à ascensão contemporânea da extrema direita.  O lançamento em Belo Horizonte será neste sábado, às 11h, na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi). 
Editora Eduerj 
288 páginas 
R$ 87

Utopia Tropical 

Márcio Metzker 

Escrito ao longo de três anos, o romance épico de Metzker foi publicado pouco antes da pandemia, mas encontrou seus leitores justamente durante o lockdown e agora chega, enfim, às livrarias. A trama começa numa aldeia de pescadores no sul da Bahia, onde um homem comum  vê seu destino se entrelaçar ao de um antepassado alemão que veio ao Brasil trabalhar como guarda na corte de Pedro I. Uma carta régia abre a ele a chance de herdar um território que vira reino independente, mas surge uma ameaça de inspiração fascista. A gênese do livro é dupla: uma ideia política de 2003, quando o autor defendeu ao marxista François Chesnais que o Brasil poderia liderar uma “organização dos países devedores”, e uma viagem à Europa para investigar os antecedentes de sua própria família. O lançamento com autógrafos será nesta segunda (31/8), das 19h às 21h45, na Leitura Megastore do BH Shopping

Outubro Edições 
596 páginas
R$ 100

Olhos feitos de poeira de estrelas e névoas 


Denise Courtouké 

No romance de estreia da atriz paulista, formada pela Escola de Arte Dramática da USP, Francesca perde a visão por causa de uma doença hereditária e vai morar em Ouro Preto com a tia Gioconda, a única que parece compreendê-la. A partir desse fio, a narrativa se abre para tudo que encanta a protagonista, de buracos negros a um Minotauro onírico, passando por fósseis na Chapada Diamantina e a dureza da vida dos imigrantes italianos. Com esse panorama, ela compõe a trajetória de uma sobrevivente que, apesar das limitações impostas pelos pais e pela própria condição, se entrega à vida em fartos goles. Numa prosa que ecoa Clarice Lispector, Francesca se descreve como “farsante, mentirosa, viciada em punições, ladra”, um autojulgamento que só se entende ao acompanhá-la 
até o final. 

Ed. Reformatório 
208 páginas 
R$ 64

Histórias miseráveis 

 
José Castello 

Coletânea de crônicas do escritor, jornalista e biógrafo carioca radicado em Curitiba, vencedor do Prêmio Jabuti. Reúne 35 textos publicados entre 2016 e 2023 no jornal Rascunho e no Suplemento Pernambuco, organizados por Rogério Pereira. Ao percorrer gestos triviais do cotidiano e existências esquecidas, as narrativas lançam perguntas, não respostas, sobre os impasses da vida contemporânea. Castello assume a persona de um cronista-flâneur que caminha por Curitiba e pelo Rio observando figuras invisibilizadas, tratando não só da miséria material, mas também da espiritual. O autor descreve seu próprio temperamento melancólico e pessimista como parte constitutiva dessas histórias, que situa entre o cotidiano e lampejos de absurdo existencial. 

Org. Rogério Pereira ·
Editora Maralto 
156 páginas
R$ 65,90

Contra os fanáticos 

 
Henry Bugalho 

O filósofo, escritor e tradutor brasileiro radicado na Espanha, formado pela UFPR e mestre em Retórica pela Universidad Internacional de La Rioja, ficou conhecido por seu canal no YouTube sobre política e cultura. Neste ensaio, parte da coleção Estudos, analisa o fanatismo com exemplos que vão das Cruzadas e da Revolução Francesa ao bolsonarismo, mostrando como a sedução das certezas, o tribalismo e a incapacidade de lidar com o outro são turbinados por redes sociais e algoritmos a serviço de uma elite que lucra com a divisão social. O livro vai além do diagnóstico e faz um chamado a uma ética da hesitação, defendendo a dúvida como forma legítima de estar no mundo diante da urgência de reimaginar o pluralismo democrático. 

Editora Perspectiva
Coleção Estudos 
240 páginas 
R$ 69,90

A fortaleza dos homens-borracha 

 
Ricardo Terto 

No primeiro romance do cronista, quatro moradores da periferia de São Paulo — Cozinheira, Chaveiro, Demolidor e Professora — carregam a mesma ferida: cada um perdeu alguém para a violência policial, sem que a justiça oficial desse conta disso. Incapazes de seguir adiante , eles se encontram no Buraco da Agulha, espécie de tribunal paralelo onde a dor vira metamorfose. Dali nasce um plano tão absurdo quanto simbólico: enfrentar os "Homens-Borracha", figura que Terto usa para nomear as forças capazes de apagar a memória dos mortos.A reconstrução vira, aos poucos, trama de vingança coletiva. Entre humor ácido e estética de HQ, o livro atravessa paternidade, luto e precarização do trabalho para pensar o Brasil contemporâneo.

Fósforo Editora
72 páginas 
R$ 69,90
 
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