Uma exploração do universo feminino na obra do sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909-1989). Este é o tema de “Quarta-feira tive visita de muita moça. As mulheres de Arthur Bispo do Rosário”, de Silvana Jeha, que será lançado em BH no sábado (18/7), a partir das 13h, na Papelaria Mercado Novo, com presença da autora em bate-papo com Ricardo Aleixo.

Na obra, ela buscou identificar boa parte das mais de 300 mulheres bordadas no manto criado pelo artista, que produziu a maior parte de seu acervo durante a internação na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, entre 1964 e 1989.

Após ter uma visão em 1938, ele passou a se considerar Jesus. Sua obra mais conhecida, o manto, é bordado na parte interna com centenas de nomes de mulheres que conheceu. Elas representavam as “virgens” que seriam chamadas no dia do Juízo Final para habitar o novo mundo que ele fundaria.

Segundo Ricardo Aleixo, que assina a orelha do livro, o artista oscilava entre o fervor religioso e as demandas eróticas provocadas pelas mulheres, que ele definia como “virgens em cardume”.

Um novo olhar sobre o artista

Para sua pesquisa, Jeha utilizou fichários azuis que o próprio Bispo organizou por locais de convívio, desde a infância em Sergipe até sua última década no Rio de Janeiro, cidade onde morou por cerca de 65 anos.

O acervo do artista inclui ainda fichários com mais de 4 mil nomes de mulheres copiados da imprensa e dezenas de notícias de feminicídios reescritas por ele. Há também cetros, faixas de misses e coleções de itens do universo feminino, como narrativas oníricas e eróticas com desenhos e palavras, nunca antes estudadas.

O livro se afasta do foco no aspecto psicótico da obra para analisar a trajetória e o contexto sociocultural de Bispo. A publicação aborda sua vida como pugilista, marinheiro, trabalhador braçal e empregado doméstico no Rio de Janeiro das décadas de 1920, 1930 e 1950.

Seguindo o princípio do crítico Frederico de Morais, de que a biografia de Bispo está em sua obra, Silvana Jeha usa os rastros autobiográficos do artista. A autora revela não apenas sua inventividade, mas também seu percurso como um homem negro e migrante que lutou para se constituir como sujeito diante de uma sociedade desigual.

O texto conta com mais de 70 reproduções coloridas da obra e acervo de Bispo, com design da Casa Rex. A autora, Silvana Jeha, é doutora em história pela PUC-Rio e pesquisa arte produzida em hospitais psiquiátricos. Este livro é um capítulo da biografia que ela prepara sobre o artista, com previsão de lançamento para 2027.

“Quarta-feira tive visita de muita moça. As mulheres de Arthur Bispo do Rosário”

Lançamento sábado 18/7), entre 13h e 15h, na Papelaria Mercado Novo (R. Rio Grande do Sul, 499 - Centro, Loja 2176, corredor J). Presença da autora em bate-papo com Ricardo Aleixo. 

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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