O romance "Água turva", da escritora gaúcha Morgana Kretzmann, ganhou mais um capítulo fora das páginas: a produtora Amaia adquiriu os direitos de adaptação audiovisual da obra. À frente da negociação está Diana Maia, sócia mineira da produtora — que também comprou os direitos de livros de Socorro Acioli e Marcelo Rubens Paiva. Os detalhes do projeto ainda estão em definição.

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Publicado pela Companhia das Letras e batizado pela editora de thriller ecológico — embora a autora aceite também "suspense ambiental", "realismo mágico" e "literatura brasileira mesmo", conforme os livreiros que já o leram —, o livro nasceu, nas palavras de Kretzmann, "da raiva seguida da vontade de fazer uma denúncia". Formada em gestão ambiental, ela pesquisou a obra por quatro anos, fez cinco visitas ao Parque Estadual do Turvo, entrevistou guardas-florestais, funcionários do ICMBio e do Ibama, atravessou o rio Uruguai para conversar com moradores do lado argentino e chegou a desenhar um mapa da cidade fictícia de Dourado, cujas ruas recebem nomes de pássaros silvestres que só existem dentro do parque.

O resultado é uma trama ambientada no noroeste do Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina, em que três mulheres muito diferentes — Chaya, guarda-florestal que acredita que seu bisavô mítico vive dentro do parque; Olga, jornalista e assessora parlamentar movida pela vingança; e Preta, líder de um grupo de caçadores do lado argentino, que "faz o que tem de ser feito para defender sua comunidade" — se unem para barrar a construção de uma hidrelétrica fictícia chamada Gran Roncador. A ameaça ressoa na vida real: existe, de fato, um projeto binacional, batizado de Garabi-Panambi, que colocaria parte do Turvo debaixo d'água e faria desaparecer o Salto do Yucumã, maior salto longitudinal de queda d'água do mundo.

"Acredito na literatura como instrumentalização de uma consciência ecológica e climática que precisa começar a nascer em todos nós", disse Kretzmann ao Estado de Minas em 2024, em entrevista a Carlos Marcelo. "Acredito que a literatura possa trazer emoções relevantes e com elas o afeto por aquilo que precisamos preservar para preservar nossas vidas."

Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura em 2020 com o romance de estreia "Ao pó", a escritora vê "Água turva" consolidar sua projeção internacional: os direitos já foram vendidos para cerca de 15 países e seis idiomas. Ainda este ano, o livro ganha edição em inglês pela HarperCollins, no selo HarperVia.

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