*Tatiane Pertence da Silva Mota
Quando se fala em educação financeira para os filhos, pensamos logo em comprar um cofrinho de moedas, mas não é bem assim. O tema é, de fato, essencial para a vida deles e deve ter um ponto de partida bem cedo!
Educar significa promover possibilidades para a construção de um conhecimento significativo para a vida. É nesse sentido que a educação financeira não se restringe a um simples manual que deve ser seguido. Ela precisa promover possibilidades que se encaixem e façam parte do cotidiano das crianças e dos adolescentes.
É importante que envolva atividades prazerosas e, quanto mais cedo for abordada, melhor, pois auxilia a criança e o adolescente a desenvolverem autonomia financeira, a fim de que possam ser capazes de tomar decisões efetivas e conscientes.
Como ensinar os filhos a compreenderem o valor do dinheiro
Aprendizagem é um processo absoluto que acontece desde o começo da vida. O processo é extenso, pois envolve um conjunto de ações que interligam o cérebro, psíquico, cognitivo, e o social.
Nessa perspectiva, no início da infância, quando se inicia a autonomia para comer e se vestir sozinho(a), a família pode utilizar como estratégia a própria rotina e as brincadeiras. Por exemplo, a adoção dos horários certos para comer e tomar banho pode ajudar a reduzir o desperdício de alimentos e, até mesmo, o consumo de água e energia, o que impacta, também, nas finanças familiares.
Avançando, ao longo do percurso da infância, incluir os pequenos nas tarefas cotidianas, como ir ao supermercado, pode fazer com que a criança formule e explore ideias relevantes, capazes de levá-la a um consumo mais consciente. Essa é uma excelente oportunidade para explorar a comparação entre preços de diferentes marcas e entre tipos de alimento, além da análise de promoções. Isso favorece tanto a educação financeira quanto uma alimentação mais saudável, criando o hábito de leitura dos rótulos e chamando a atenção para os vilões do momento, como os corantes e os açúcares.
Participar das escolhas da família e acompanhar pequenas decisões do cotidiano ajuda crianças e adolescentes a desenvolver uma relação mais consciente com o consumo
Outro exemplo envolve cuidar da casa, pois a prática de pequenas ações, como separar roupas e brinquedos para doações, comprar o que realmente for necessário, cuidar do material escolar, reutilizar certos objetos, apagar as luzes ao sair, cumprir combinados e ajudar nas tarefas da casa, também fazem parte da educação financeira, além de contribuir com o meio ambiente.
O exemplo começa a partir das conversas
A imaginação vai além de como o dinheiro “nasce”, por isso o diálogo entre pais e filhos é fundamental para falar sobre o seu valor, isto é, para esclarecer que, para ter um patrimônio, é necessário esforço, estudo e trabalho. Estabelecer essa relação auxilia as crianças a aprenderem como funcionam as transações financeiras, o valor das moedas e das cédulas, e a refletirem sobre a importância da Matemática nesse contexto.
Desse modo, a confiança e o planejamento na educação financeira contribuem para a autonomia da criança e do adolescente, como por exemplo, comprar lanche na escola e fazer reservas mensais. Além disso, incluir os filhos em um planejamento de uma viagem de férias é outra forma de promover a conscientização, pois envolve planejar e comparar os valores e o custo-benefício, bem como controlar o dinheiro reservado para a viagem.
A educação financeira é um processo contínuo que transita no ambiente familiar. Por essa razão, a família tem um papel fundamental nesse processo, pois pode proporcionar a exploração de situações práticas que podem ser articuladas às aprendizagens matemáticas escolares. Assim, família e escola se tornam aliadas na formação de cidadãos críticos e responsáveis, capazes de resolver problemas e tomar decisões mais conscientes, com hábitos mais saudáveis e com maior potencial para investir em um futuro mais seguro.
Conscientização também é construída na escola
No Colégio Loyola, aprender vai além dos conteúdos curriculares. Fundado em 1943, em Belo Horizonte, o colégio é uma obra da Companhia de Jesus e integra a Rede Jesuíta de Educação, presente em mais de 80 países. Essa trajetória fortalece uma proposta educativa que incentiva a autonomia, o pensamento crítico e a responsabilidade desde os primeiros anos de vida escolar.
Ao aproximar família e escola, o Loyola cria oportunidades para que temas como educação financeira sejam vivenciados de forma prática, contribuindo para a formação de estudantes preparados para fazer escolhas ao longo da vida.
Para saber como a instituição promove uma formação unindo conhecimento, autonomia e responsabilidade acesse: loyola.g12.br
Dicas de leitura que podem ajudar a pensar sobre o tema
Para aprofundar a reflexão, Tatiane, professora do Colégio Loyola e Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Educação da PUC Minas recomenda algumas leituras que podem apoiar famílias e educadores na construção da educação financeira desde a infância:
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- 8 dicas para falar de educação financeira para as crianças (Blog Leiturinha)
- Ressignificando as aulas de Matemática com metodologias ativas para o estudo de áreas de figuras planas no ensino remoto (Tatiane Pertence da Silva Mota - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas[PF1] , Belo Horizonte, 2021
* Tatiane Pertence da Silva Mota é Professora do Colégio Loyola e Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Educação da PUC Minas.
