* Viviana Pérez Moreira
Você já teve a sensação de estar ao lado do seu filho o dia inteiro e, ainda assim, não saber exatamente o que ele está vivendo? Essa talvez seja uma das maiores angústias das famílias na atualidade. Os adolescentes estão perto fisicamente, mas, muitas vezes, emocionalmente distantes. Compartilham a casa, a mesa e a rotina, mas também habitam outros espaços, digitais, sociais e simbólicos, aos quais nem sempre temos acesso.
Falar sobre adolescência é olhar para uma fase marcada por mudanças intensas, descobertas e inseguranças, bem como pela necessidade de pertencimento. Nem sempre é simples compreender tudo o que atravessa essa etapa da vida, especialmente em um tempo em que as relações, as referências e as formas de interação acontecem de maneira tão rápida e ampliada pelas redes sociais.
Novas formas de pertencer também moldam a adolescência
Aquilo que, muitas vezes, parece trivial aos olhos adultos pode ocupar um lugar importante na vida dos adolescentes. Uma interação em uma rede social, um comentário entre amigos, a necessidade de estar conectado ou de pertencer a determinados grupos podem influenciar significativamente a forma como eles constroem sua identidade e percebem seu lugar no mundo.
Embora os contextos tenham mudado, essa necessidade não é nova. Todos nós, em algum momento da adolescência, buscamos aceitação, identificação e reconhecimento. O que mudou foi o alcance dessa experiência.
Hoje, os adolescentes pertencem simultaneamente a diferentes grupos: a turma da escola, os amigos do jogo on-line, influenciadores digitais, comunidades virtuais, dentre outros. São impactados por pessoas de diferentes idades, culturas e valores, muitas vezes, ao mesmo tempo.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman descreve a sociedade contemporânea como “líquida”: um tempo em que tudo muda rapidamente e poucas referências permanecem estáveis por muito tempo. Na adolescência, essa instabilidade ganha ainda mais intensidade. O jovem experimenta diferentes formas de existir, muda opiniões, testa estilos, questiona valores e busca descobrir quem é.
Esse processo pode gerar insegurança tanto para os adolescentes quanto para os adultos que os acompanham.
Os desafios de construir a própria identidade
É comum que os pais observem comportamentos aparentemente contraditórios: um filho que deseja autonomia, mas ainda precisa de acolhimento; que busca independência, mas depende profundamente da validação dos outros; que parece distante, mas continua precisando ser visto. Essas contradições fazem parte do desenvolvimento.
Erik Erikson, importante referência nos estudos sobre identidade, já apontava que a adolescência é marcada justamente pela “crise de identidade”: um período em que o sujeito tenta integrar diferentes experiências, referências e expectativas para construir uma percepção mais consistente de si mesmo.
Hoje, porém, esse desafio se tornou ainda mais complexo. As redes sociais ampliam as possibilidades de conexão, mas também intensificam comparações, cobranças e sentimentos de inadequação. O adolescente passa a lidar não apenas com as expectativas da família e da escola, mas também com padrões globais de aparência, comportamento e sucesso. Por isso, acompanhar um adolescente exige mais do que vigilância. Exige presença verdadeira.
A proximidade entre adultos e adolescentes se fortalece nas pequenas conversas, na convivência e no interesse pela rotina dos jovens
Estar perto vai além da supervisão
E presença não significa controlar cada passo, monitorar todas as conversas ou ter respostas prontas para tudo. Significa construir espaços de escuta, interesse e diálogo genuíno, mesmo quando as respostas vêm em silêncio, monossílabos ou portas fechadas.
Na prática, algumas atitudes podem fortalecer essa aproximação:
- demonstrar curiosidade sincera sobre os interesses dos filhos, mesmo quando parecem distantes do universo adulto;
- • evitar julgamentos imediatos diante de gostos, opiniões ou comportamentos diferentes;
- • estabelecer limites claros e coerentes, criando oportunidades de diálogo e reflexão;
- • criar momentos de convivência sem telas, ainda que breves;
- • observar mudanças bruscas de humor, isolamento excessivo ou alterações importantes de comportamento;
- • manter parceria constante entre família e escola, reconhecendo que nenhuma dessas instituições consegue atuar sozinha.
- Talvez, esse seja um dos pontos mais importantes: adolescentes não precisam de adultos perfeitos, mas de adultos disponíveis.
A importância de uma rede de apoio
A escola, a família e os profissionais que acompanham os jovens fazem parte do mesmo ecossistema. Quando cada parte tenta resolver os desafios isoladamente, todos se fragilizam. Mas, quando há diálogo, escuta e construção conjunta, os adolescentes encontram referências mais sólidas para atravessar essa fase tão intensa da vida.
Compreender a adolescência não significa concordar com tudo ou eliminar conflitos. Significa reconhecer que, por trás de muitas atitudes desafiadoras, existe alguém tentando descobrir quem é, onde pertence e como pode ser aceito no mundo.
E, talvez, acompanhar um adolescente seja justamente isso: permanecer por perto enquanto ele aprende, aos poucos, a encontrar o próprio caminho.
Uma escola que acompanha cada etapa da adolescência
No Colégio Loyola, cada estudante é acolhido em sua singularidade. Inspirada na pedagogia inaciana, a escola entende que educar vai além da formação acadêmica e envolve escuta, diálogo e cuidado com os aspectos emocionais, sociais e humanos de cada jovem. Por isso, família e equipe pedagógica caminham juntos para oferecer referências sólidas, fortalecer vínculos e criar um ambiente de confiança ao longo de toda a trajetória escolar.
Conheça como a instituição promove uma formação integral preparando os estudantes para os desafios da vida, acesse loyola.g12.br.
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*Viviana Pérez Moreira é Gestora Pedagógica do Ensino Fundamental – Séries Finais do Colégio Loyola, formada em Pedagogia e Mestre em Gestão Educacional.
