"Pois é: até o último domingo, dia 25, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era um dos candidatos ao lado de Lula, com possibilidades de vencer a eleição no seu segundo turno, no qual recebeu mais de 59 milhões de votos depositados nas eficientes urnas eletrônicas (invenção brasileira). Anunciada a vitória de seu oponente Lula, parece que entrou em pânico.
Consciente de que a perda do mandato ou do foro privilegiado pode deixá-lo vulnerável a processos e pendências com a Justiça, como já em curso com o Banco Master e suspeita de ligação com negócios escusos com o advogado Willer Tomaz, o parlamentar – adotando uma postura combativa semelhante à de seu pai, Jair Bolsonaro – chegou a ensaiar discursos contestando o processo eleitoral.
De repente, surge a bomba trazida pela imprensa nesta terça-feira, 27: Flávio Bolsonaro estaria se preparando para deixar o país em direção aos Estados Unidos – mesmo destino de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que também enfrenta a Justiça brasileira.
Toda essa reação ocorre após o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar que o senador entregasse seus passaportes no prazo de 24 horas, respaldado por alertas da Polícia Federal sobre o risco de fuga. O movimento lembra o do próprio ex-presidente, que viajou aos EUA no fim de seu mandato, dias antes dos episódios de 8 de janeiro.
Infelizmente, essa postura expõe o retrato da atual classe política brasileira: enquanto alguns fogem do país para esquivar-se de responsabilidades judiciais, a maioria dos políticos – e parcela do Judiciário – foge descaradamente de seus deveres com a Nação, consolidando um lamentável cenário de desordem institucional."
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Paulo Panossian
São Carlos – SP