Uma campanha eleitoral dura meses. O que ela deixa pode durar décadas. Ontem, milhões de brasileiros fizeram fila, digitaram os números de seus candidatos e decidiram o futuro do país. É um exercício que parece simples, mas carrega um peso que vai além do voto individual. Cada comparecimento é uma afirmação de que o conflito político tem um lugar para ser resolvido sem violência, sem ruptura, sem que quem perde precise capitular e quem ganha precise destruir. Esse lugar é a urna. E ontem, mais uma vez, ela funcionou.


A democracia não é o melhor sistema porque garante que o candidato certo vença. É o melhor sistema porque garante que, independentemente de quem vença, a decisão pertence ao povo – e ela pode ser revista nas próximas eleições. Nenhum resultado de hoje é permanente. Nenhuma derrota é definitiva. Essa é a grandeza do sistema democrático brasileiro: ele não fecha portas, mas redistribui oportunidades. Quem perdeu hoje tem o direito – e o dever – de fazer oposição, de fiscalizar, de voltar e tentar de novo.


Mas há uma responsabilidade que recai especialmente sobre quem ganhou. O eleito representa todos os que votaram nele, mas também quem não votou. A margem de votos que separa vencedor de perdedor, por maior que seja, não apaga a existência de milhões de brasileiros que fizeram escolhas diferentes. Governar para a maioria não significa ignorar a minoria. É necessário que os vencedores tenham a sabedoria de entender que o mandato popular é uma confiança. Os melhores governos da história democrática foram aqueles que, mesmo eleitos por uma parte, souberam falar ao todo e atender aos anseios que, no fim, são comuns e universais a todos: segurança, saúde, educação, possibilidade de empreender, oportunidades de trabalho e tranquilidade para criar suas famílias.


O Brasil de 2026 chega ao dia seguinte desta eleição com feridas abertas. A polarização dos últimos anos deixou marcas que não desaparecem. Temos ainda o segundo turno para eleger o presidente da República. Famílias divididas, amizades rompidas, um debate público que frequentemente confunde adversário com inimigo. Essas feridas não serão curadas por decreto ou por discurso de vitória. Serão curadas, se forem, pela experiência concreta de um governo que governa para todos, e de uma oposição que fiscaliza sem sabotar.

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O apelo que se faz, no dia seguinte ao voto, é pela pacificação. O Brasil é maior do que qualquer candidato, qualquer partido, qualquer resultado. A urna decide quem governa. Cabe a todos, governantes e governados, vencedores e derrotados, decidir que país queremos ser.

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