“Em 2007, Renan Calheiros renunciou à Presidência do Senado, depois de ter se licenciado. Na ocasião, a imagem da instituição estava no chão em razão de denúncias de corrupção – que nem de longe chegam aos pés do gravíssimo momento atual enfrentado pelo Senado. Foi uma decisão que se revelou acertada uma vez que, anos depois, Renan Calheiros voltou a exercer a Presidência do Senado por mais dois períodos (2013 a 2017). Com a renúncia de Renan, o senador Garibaldi Alves assumiu, após eleição na Mesa Diretora. A recuperação da imagem da instituição perante a sociedade foi a sua principal missão, segundo anunciou o senador potiguar. Em seu discurso de posse, conclamou a todos os senadores a partilharem com ele a 'árdua missão de devolver ao Senado toda a credibilidade que conquistou em sua trajetória'. Garibaldi Alves resgatou a imagem do Senado perante a sociedade e os próprios senadores, repassando o cargo honradamente e dignamente ao Senador José Sarney. Quase 20 anos depois o Senado, vivencia sua pior crise da história, decorrentes de sucessivas condutas de seu presidente, Davi Alcolumbre, que na prática anulou o Congresso Nacional frente aos demais Poderes. Por meio de omissão, usurpação de competência (da Comissão Especial de 20 senadores) e prevaricação, Alcolumbre engavetou todas as representações contra ministros do STF; ignorou pedidos de informações e de abertura de CPI, não dando quaisquer explicações a respeito. Todavia, o Brasil acompanha perplexo as divulgações de mensagens trocadas entre Davi Alcolumbre e Daniel Vorcaro. Agora se tem a certeza que a prevaricação imotivada de Alcolumbre decorre de flagrante desvio de finalidade, desvio de poder, usurpação de função pública, conflito de interesses (inconfessáveis), obstrução de justiça, obstrução de CPI e em última análise, potencial crime de responsabilidade. É fato que Davi Alcolumbre não reúne quaisquer condições técnicas, éticas, morais para continuar no cargo, lembrando que recaem sobre ele indícios de corrupção. Sua inevitável saída da presidência na forma menos traumática é a renúncia (como fez o experiente Renan Calheiros). Melhor, antes que Alcolumbre seja 'renunciado' pelos senadores.”

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MILTON CORDOVA JUNIOR
Vicente Pires – DF

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