"Muito se fala, com absoluta e eterna razão, sobre o Holocausto sofrido pelos judeus. Historicamente, o termo designa o genocídio do povo judeu, enquanto outras tragédias semelhantes são classificadas apenas como genocídios. Um exemplo é o extermínio de 20 milhões de congoleses durante o domínio do rei Leopoldo II da Bélgica, entre 1885 e 1908. Surge, então, uma reflexão: por que "Holocausto" provoca um impacto tão maior do que "genocídio", mesmo quando ambos se referem ao extermínio de milhões de pessoas? Considero que tragédias dessa magnitude deveriam receber igual memória, indignação e condenação. Por que, então, não recebem? Porque os judeus eram brancos, na Europa, e os congoleses, negros, na África? Nenhum povo deve ter o monopólio da dor, nem qualquer vítima deve valer mais do que outra perante a história."
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Marcus Aurelio de Carvalho
Santos