"Mais uma vez surpreendendo o mercado, o presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que já dispõe dos recursos necessários para quitar US$ 5 bilhões de sua dívida externa. Este será o segundo pagamento (envolvendo juros e principal) realizado apenas este ano. A recuperação econômica e social do país vizinho é de extrema importância para o Brasil, dado que a Argentina figura entre os três maiores importadores de produtos brasileiros.
Ao assumir a gestão em 10 de dezembro de 2023, Milei encontrou um cenário econômico e social caótico. Inflação: fechou o ano de 2023 em impressionantes 211,4%. Reservas cambiais zeradas. Crescimento: histórico de PIBs negativos. Por meio de uma administração austera, que incluiu o fechamento de estatais deficitárias, o governo argentino conseguiu reduzir drasticamente a inflação, com projeção de fechar o ano corrente em 32,2%. Como reflexo do estímulo à atividade econômica, o PIB do país cresceu 4,4% em 2025, e a expectativa para este ano é que se estabilize entre 3,5% e 3,6%.
Em contrapartida, no Brasil, o presidente Lula adota uma postura que ignora o equilíbrio fiscal e os alertas emitidos tanto pelo Banco Central quanto pelo mercado financeiro. Essa condução econômica foi um dos fatores determinantes para a elevação da taxa Selic, que saltou de 10,5% em meados de 2024 para o pico de 15% (recuando atualmente para 14,25%). A dívida pública brasileira, que representava 73,5% do PIB no final de 2022, subiu para 81,2% sob a atual gestão, com projeções de atingir 83,5% ainda este ano. Enquanto isso, o crescimento do PIB patina em um ritmo tímido de 2%. Como resultado direto dessa expansão de gastos públicos, os juros para o setor produtivo e para o consumidor final dispararam, levando o país a registrar recordes nos índices de inadimplência.
Ao contrário de Milei, o governo atual não demonstra abertura para privatizações ou para o encerramento de estatais que operam no vermelho, como é o caso dos Correios. Diante da falta de foco na responsabilidade fiscal para servir à nação, o atual mandatário brasileiro sinaliza não ter a disposição necessária para seguir o exemplo de austeridade adotado pelo presidente argentino."

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Paulo Panossian - São Carlos – SP

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