William França - Diretor executivo de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras
A Petrobras tem acompanhado com atenção as discussões recentes sobre o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), realizado em março de 2026, e reafirma seu posicionamento favorável à homologação imediata do resultado do certame. O LRCAP é essencial para a segurança elétrica do Brasil e para a previsibilidade necessária ao desenvolvimento do setor energético nacional, evitando que o país passe por apagões.
O leilão, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com suporte técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), teve como objetivo a contratação de potência firme para o Sistema Interligado Nacional (SIN), segundo diretrizes estabelecidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
A efetividade de seu resultado é fundamental para o país porque o sistema elétrico brasileiro passa por transformações profundas, impulsionadas pela rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, aumento da demanda, maior eletrificação da economia e ocorrência crescente de eventos climáticos extremos. Esse novo contexto exige capacidade firme, confiável e disponível 24 horas por dia para assegurar o suprimento nos momentos críticos.
Desde 2022, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que é a autoridade técnica máxima responsável pela coordenação da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), alerta para o risco elevado de insuficiência de potência entre 2026 e 2030 caso não sejam contratados novos recursos. O alerta foi reiterado no Plano da Operação Energética (PEN), publicado em agosto de 2025, no qual o ONS aponta que, sem nova contratação de capacidade, a probabilidade de falha de suprimento de potência é próxima de 30% já em 2026, chegando a mais de 90% em 2029.
Em termos práticos, risco de insuficiência de potência significa risco real de apagão – interrupções súbitas e potencialmente extensas no fornecimento de energia, com consequências graves para a economia, para os serviços essenciais e para a vida cotidiana da população.
O LRCAP 2026 respondeu a esse diagnóstico técnico ao viabilizar a potência firme necessária, evitando descumprimento dos critérios de suprimento e protegendo os consumidores e a economia contra interrupções de grande impacto. Adiar essa decisão hoje implicaria expor o país e o consumidor brasileiro à necessidade de medidas emergenciais menos eficientes e certamente mais caras.
O provimento de energia garantido pelo LRCAP é complementar, e não contrário, à expansão das energias renováveis. Sistemas elétricos modernos combinam renováveis com fontes despacháveis que asseguram estabilidade, flexibilidade e confiabilidade. Esse modelo é adotado pelas principais economias do mundo. A crença de que baterias podem substituir integralmente a potência térmica, nas condições atuais, não encontra respaldo técnico.
A necessidade de contratação das térmicas flexíveis é uma realidade presente e verificável nos dados da operação do SIN, observando-se o acionamento frequente das usinas, realizado pelo ONS nos últimos meses, semanas e dias: diariamente as usinas termelétricas a gás têm sido o recurso seguro do operador quando o país mais precisa – milhares de Megawatts de potência em minutos, mantendo o país aceso, ligado, operando.
Por exemplo, no dia 6 de maio, uma quarta-feira, mesmo em um cenário de elevada oferta de geração eólica no SIN, as usinas da Petrobras foram acionadas em tempo real, para atendimento ao momento de máxima demanda do sistema. Foram despachadas três usinas, que totalizaram uma geração acima de 680 MW durante o período.
Já na sexta-feira, dia 15 de maio, foi solicitado despacho em tempo real de cinco usinas da Petrobras, no pico de demanda. A geração do parque termelétrico da Petrobras, que estava atendendo a programação de 620 MW ao longo da tarde, ultrapassou o valor de 2.000 MW logo após as 18h, com um incremento de 1.400 MW em pouco mais de uma hora desde a partida e sincronismo das unidades geradoras.
A não concretização do LRCAP 2026 possui elevado potencial de impacto para a segurança do setor elétrico já para o ano vigente, pois pode levar à desmobilização de usinas termelétricas existentes, cuja viabilidade de permanência no sistema depende diretamente da previsibilidade regulatória e remuneração proporcionadas pelo leilão. A perda desses ativos agravaria de forma relevante o risco de falhas de suprimento, justamente no horizonte em que o ONS identifica vulnerabilidade.
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A Petrobras permanece comprometida com a transição energética justa, com a segurança energética nacional e com a oferta contínua de energia para a sociedade brasileira, e por isso defende a homologação e a assinatura dos contratos das usinas vencedoras do LRCAP 2026.