Everton Negresiolo - CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM

Tratar o aço apenas como uma commodity é ignorar seu papel estratégico para a produtividade, a sustentabilidade e a competitividade industrial do Brasil. Mais do que um insumo presente no cotidiano, o aço é um dos materiais que sustentam a infraestrutura, a mobilidade, a indústria e a qualidade de vida nas sociedades modernas.


Está no carro que nos transporta, na casa onde moramos, nas obras de infraestrutura, eletrodomésticos, tratores, estádios. Ao mesmo tempo, a indústria do aço gera milhares de empregos e serve de base para setores que representam cerca de 25% do Produto Interno Bruto brasileiro, como a construção civil, a indústria automotiva e a de bens de capital. Não por acaso, celebramos em 9 de abril o Dia Nacional do Aço.


Mas o aço de hoje já não pode ser pensado com a lógica de ontem. Em um cenário de grandes desafios econômicos, sociais e ambientais, a demanda deixou de ser apenas por volume. O mundo precisa de materiais que entreguem mais desempenho, maior eficiência e menor impacto ambiental ao longo de todo o seu ciclo de vida. É nesse contexto que ganha relevância o conceito de aço inteligente.


Na ArcelorMittal, esse conceito está baseado em três pilares: sustentabilidade, inovação tecnológica e eficiência. Não se trata de um único produto, mas de um novo padrão de produção e aplicação do aço. Um aço produzido com menor consumo de energia, maior reaproveitamento de materiais e desempenho superior, resultando em soluções mais resistentes, duráveis, reutilizáveis e adequadas às exigências do presente e do futuro.


Na prática, isso significa fazer mais com menos. Aços de alta resistência, por exemplo, permitem a produção de veículos mais leves, contribuindo para a redução do consumo de combustível ou bateria, sem comprometer a segurança. Na infraestrutura, o aço inteligente está presente em torres de transmissão de energia, geração eólica e saneamento. Na construção civil, sua aplicação vem ganhando espaço em sistemas que aumentam a produtividade, reduzem desperdícios e encurtam prazos de execução.


Com a metodologia Steligence, que avalia o ciclo de vida completo dos projetos, observamos resultados concretos. Em galpões industriais, a redução dos custos da obra pode chegar a 19%, ao mesmo tempo em que há diminuição no consumo de água e nas emissões de carbono. Soluções como lajes mistas, fachadas metálicas e elementos pré-fabricados demonstram que inovação e eficiência podem caminhar juntas. Grandes empreendimentos residenciais de alto padrão em cidades como Belo Horizonte e Balneário Camboriú já utilizam aços mais inovadores e resistentes, reforçando uma mudança que tende a se ampliar.


Esse avanço também está diretamente ligado à circularidade. O uso de sucata reciclada na produção do aço reduz o consumo de minério de ferro e contribui para produtos com menor pegada de carbono. Ao mesmo tempo, evidencia uma das características mais valiosas do material: sua reciclabilidade infinita. Em uma economia que precisará ser cada vez mais circular, o aço ocupa posição central.


No entanto, a consolidação desse movimento exige uma mobilização mais ampla. É preciso que projetistas, construtoras, indústrias, investidores e formuladores de políticas públicas avancem em uma visão mais integrada sobre produtividade, desempenho e impacto ambiental. A escolha por materiais de alta performance deixou de ser apenas uma decisão técnica de engenharia. Tornou-se uma decisão estratégica para a competitividade do país e para a qualidade do desenvolvimento que queremos construir.

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O futuro da indústria e das cidades dependerá, em grande medida, da inteligência com que escolhermos os materiais que darão forma a esse novo ciclo. O aço seguirá sendo protagonista. Mas, cada vez mais, será valorizado por sua capacidade de entregar eficiência, inovação e sustentabilidade em escala. O futuro não se improvisa. Ele se constrói. E será construído com materiais à altura dos desafios do nosso tempo.

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