Beatriz Junqueira - Juíza de Direito em Belo Horizonte, com atuação na área dos Juizados Especiais do Torcedor e Grandes Eventos

Em 2026, falar sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027 não é antecipação. É responsabilidade. A Copa do Mundo Feminina de 2027 será mais que um torneio: será o teste decisivo sobre como o Brasil trata suas mulheres – dentro e fora dos estádios.


No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Brasil não pode apenas celebrar. Precisa assumir compromissos. Se há um campo onde as mulheres brasileiras transformaram resistência em protagonismo, esse campo é o do esporte – e, especialmente, do futebol.d


Enquanto milhares de mulheres ainda enfrentam violência e desigualdade, o país vibra com conquistas históricas dentro dos gramados. Esse contraste nos provoca. Não é possível exaltar medalhas e gols sem enfrentar as estruturas que ainda limitam a vida de milhões de brasileiras.


O futebol feminino nasceu da resistência, cresceu na coragem e hoje pisa em campo com perspectivas concretas de consolidação. Durante décadas foi proibido e invisibilizado. Ainda assim, resistiu. Hoje lota arenas, movimenta investimentos e inspira meninas que finalmente podem se imaginar atletas sem pedir licença.


A Copa do Mundo Feminina de 2027, inédita no Brasil, representa uma inflexão histórica. Não é apenas um evento esportivo. É oportunidade de amadurecimento institucional, fortalecimento de políticas públicas e afirmação cultural.


O Tribunal de Justiça de Minas Gerais já se prepara para esse marco. A experiência acumulada no Juizado do Torcedor e de Grandes Eventos demonstra que o Poder Judiciário não pode ser mero espectador. Garantir direitos, combater discriminação, prevenir violência e estruturar protocolos de proteção às mulheres em ambientes esportivos são responsabilidades institucionais centrais diante de 2027.


As consequências ultrapassam o esporte. São econômicas – atraem investimentos e geram empregos. São sociais – ampliam referências e reduzem estigmas. São institucionais – consolidam políticas permanentes. São culturais – redefinem quem pertence ao futebol.


O Brasil está diante de uma decisão histórica.


Não é amistoso. É final.


Estamos jogando a partida decisiva sobre que país queremos ser: um que celebra mulheres apenas quando vencem ou um que garante dignidade, segurança e igualdade de oportunidades.

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Quando a bola rolar em 2027, o mundo estará olhando. Que encontre um país que compreendeu que futebol feminino não é favor. É direito. É investimento. É política pública. É compromisso institucional. É futuro.

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